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Tempestades de areia e poeira atingem níveis recordes em 2025, alerta agência da ONU

Fenômenos foram mais intensos na China e na fronteira entre EUA e México; eventos afetam a saúde, o transporte e a economia, segundo a Organização Meteorológica Mundial

10 jul 2026 - 04h34
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As tempestades de areia e poeira atingiram níveis recordes em diversas regiões do planeta em 2025, especialmente na China e na fronteira entre Estados Unidos e México, informou nesta sexta-feira, 10, a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Segundo a agência da ONU, os fenômenos agravaram a poluição do ar, prejudicaram a saúde da população e provocaram impactos no transporte, na economia e no meio ambiente.

De acordo com o boletim anual da OMM sobre partículas atmosféricas, a concentração média global de poeira na superfície permaneceu próxima à registrada em 2024, mas houve diferenças significativas entre as regiões.

Na faixa desértica da fronteira entre México e Estados Unidos, as tempestades de poeira foram classificadas como "excepcionalmente frequentes, intensas e duradouras". A cidade de El Paso, no Texas, registrou 50 dias com ocorrência desses fenômenos ao longo de 2025, mais que o dobro da média anual.

As maiores concentrações de poeira do mundo, porém, continuaram sendo registradas na depressão de Bodélé, no Chade, considerada uma das principais fontes naturais de emissão de poeira atmosférica.

O norte da África e o Oriente Médio também enfrentaram diversos episódios severos, que deterioraram a qualidade do ar e reduziram a visibilidade.

Na China, a OMM registrou o episódio mais intenso da última década em abril de 2025, quando uma tempestade de areia originada na Mongólia atravessou grande parte do país. Segundo o relatório, o evento foi o mais grave dos últimos dez anos em intensidade, abrangência territorial e duração.

Durante a tempestade, os níveis de partículas inaláveis PM10 superaram amplamente os limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), aumentando os riscos à saúde da população.

"As tempestades de areia e poeira degradam a qualidade do ar e prejudicam a saúde", afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, em comunicado.

Segundo ela, esses eventos também reduzem a produtividade agrícola, interrompem os transportes terrestre e aéreo, pressionam os sistemas de abastecimento de água e energia e causam danos aos ecossistemas.

A OMM estima que cerca de 2 bilhões de toneladas de poeira sejam lançadas na atmosfera todos os anos. Essas partículas podem percorrer centenas ou milhares de quilômetros, atravessando continentes e oceanos.

Grande parte da poeira tem origem em regiões áridas e semiáridas, especialmente nos desertos do Saara, na África, de Gobi, na Ásia, e da Península Arábica.

Embora o fenômeno seja natural, a agência ressalta que sua intensidade vem sendo agravada pela degradação ambiental, pela má gestão do solo e da água e pelas secas. Atualmente, tempestades de areia e poeira afetam mais de 150 países./com AFP

Estadão
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