Super El Niño pode causar calor extremo e inundações pelo mundo ainda em 2026, dizem especialistas
Fenômeno natural aquece de forma anormal as águas do Oceano Pacífico Equatorial
Especialistas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) e do Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOOA) apontam que o mundo pode enfrentar, ainda em 2026, uma variação mais forte do El Niño, fenômeno natural responsável pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.
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Episódios mais intensos do fenômeno contribuíram para temperaturas globais recordes, calor extremo, seca e inundações em diversos lugares do mundo. De acordo com o ECMWF, as probabilidades de ocorrer uma variação forte são de 80%, enquanto a variação super é de 20%.
O metereologista Sidney Abreu, do do Instituto Nacional de Metereologia (Inmet), explica que os modelos climáticos apresentados pelo NOAA mostram a previsão do El Niño em 2026 com anomalias positivas da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no Oceano Pacífico Equatorial em torno de 2.0 graus acima da média.
"Esse valor é próximo dos El Niños mais fortes já observados, como os de 1982/1983 e de 1997/1998. A anomalia de TSM acima da média ocasiona uma mudança na circulação da atmosfera", afirma.
Na prática, esse aquecimento superforte altera de maneira significativa a circulação atmosférica e a distribuição de chuvas pelo mundo. Enquanto algumas regiões podem sofrer com calor intenso, outras podem nem receber a quantidade de chuva necessária.
No Brasil, há um déficit de chuva nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, e um superávit de chuva no Centro-Sul. O último ano com ocorrência do El Niño foi em 2023/2024 e esteve entre os mais fortes já registrados.
"Na região Norte e Nordeste se espera uma redução dos índices pluviométricos causando uma diminuição nos níveis dos rios e dos reservatórios, o que pode afetar a navegação marítima, a agricultura, favorece situações de grandes áreas de queimadas e ondas de calor. Cenário observado durante o El Niño de 2023/2024, onde os rios da Amazônia viraram ruas", ressalta o meteorologista.
Já no Centro-Sul, o aumento de índices pluviométricos traz, consequentemente, eventos extremos de chuva, enchentes severas, deslizamentos, granizos e aumento moderado das temperaturas.
"Um exemplo foram as chuvas extremas e prolongadas por dias ocorridas no Rio Grande do Sul, sendo este evento o maior do ponto de vista climático ocorrido no Brasil. Este cenário também foi observado no último El Niño. No Centro-Oeste pode ter secas mais prolongadas e temperaturas recordes", acrescenta.
Outro destaque feito pelo especialista é a Oscilação Decadal do Pacífico (ODP), um padrão climático com fases quentes ou frias que duram de 10 a 30 anos. A fase quente da ODP iniciou em 2020.
"Essa fase quente é caracterizada por uma frequência maior de El Niños acontecendo no Pacífico Equatorial, além disso, mais intensos. O aumento da temperatura global ao longo das décadas também potencializa isso", diz.
Além das mudanças climáticas extremas, o fenômeno natural também influencia na economia, tendo em vista que afeta a produção de insumos como algodão, milho e soja. Apesar disso, foi constatado que no Canadá, por exemplo, as mudanças atmosféricas trouxeram um inverno mais ameno, o que acabou beneficiando pescadores locais.