Há décadas, resfriamos nossas casas com máquinas cada vez mais caras; o método persa não consome um único watt há 2.500 anos
Eles foram claros quanto a isso: antes de pensar em como resfriar uma casa, pensaram em como construir uma que exigisse o mínimo possível de resfriamento
Por décadas, o ar-condicionado tem sido a principal resposta ao calor. À medida que as temperaturas subiam, simplesmente instalávamos máquinas mais potentes. No entanto, há mais de 2.500 anos, em uma cidade desértica do Irã, alguém propôs uma ideia completamente diferente: talvez o problema não fosse como resfriar uma casa, mas sim como construí-la de modo que ela nunca chegasse a ficar quente demais.
O calor tem um novo inimigo
O planeta vive uma elevação sem precedentes nas temperaturas, e as edificações pagam o preço. Fachadas de vidro transformam escritórios e residências em verdadeiras estufas, o concreto retém calor por horas e as cidades irradiam de volta, à noite, a energia absorvida durante o dia.
O resultado é uma dependência cada vez maior do ar-condicionado. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, os sistemas de refrigeração já respondem por cerca de 20% do consumo global de eletricidade — um número que tende a aumentar à medida que as ondas de calor se tornam mais frequentes.
O redesenho persa
Situada no planalto iraniano, encontra-se Yazd, uma cidade onde as temperaturas de verão ultrapassam facilmente os 40°C e onde a sobrevivência nunca foi uma questão de conforto, mas de engenharia. Foi lá que surgiu um dos sistemas de resfriamento passivo mais sofisticados já concebidos: o bâdgir, ou torre de vento.
Sua abordagem era radicalmente diferente dos métodos atuais. Em vez de combater o calor depois que ele já havia entrado na casa, a própria ...
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