Pietro Fittipaldi fala sobre não ser escolhido pela Haas F1
Sem vaga de titular, brasileiro não escondeu a frustração por não ser o eleito pela equipe em que atua como piloto reserva
Desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, a Fórmula 1 virou seus olhos para a Haas. Com patrocinador principal (Uralkali) e piloto (Nikita Mazepin) russos, a equipe se viu pressionada e optou por romper relações com ambos. O tema se tornou especialmente caro ao público brasileiro, que viu em Pietro Fittipaldi, reserva da equipe, a chance de ter o primeiro compatriota titular na F1 desde a saída de Felipe Massa, em 2017. A expectativa só foi aumentada quando Guenther Steiner, chefe da equipe, declarou que Pietro seria o primeiro da fila entre os candidatos a ocupar o lugar de Mazepin.
Mas os dias se passaram e a Haas optou por recontratar Kevin Magnussen, que já havia pilotado pela equipe entre 2017 e 2020. Preterido para o posto de titular, Pietro terá de se contentar com a manutenção da função de piloto reserva. Em entrevista à Autosport, ele falou sobre a escolha da Haas, e se mostrou um tanto decepcionado:
“[O Guenther] me contou que dois candidatos estavam sendo considerados: eu e outro que eu não sabia quem era. Era o Kevin, e acabou pendendo para o lado dele. Eu respeito a decisão da equipe. Mas, claro, como um piloto de coração, é decepcionante, dói, porque eu sei do potencial que temos e do que sei que posso entregar.”
Pietro afirmou entender as razões da escolha do time e que isso apenas lhe dará mais motivos para seguir trabalhando: “[Steiner] disse: ‘precisamos de alguém com experiência’, e eu entendi isso, e não muda meu comprometimento com a equipe. A história não termina aqui. Vou continuar trabalhando duro. Eu tive que passar por muitas adversidades na minha carreira, e essa é só mais uma. A única coisa que posso fazer é trabalhar ainda mais duro.”
Pietro, que tem dupla nacionalidade e nasceu em Miami, lamentou a oportunidade perdida de poder representar o público brasileiro e de correr em sua cidade natal, que estreia no calendário em 2022: “Eu sei o que poderíamos ter feito. Teria sido enorme no Brasil. Seria incrível. E tem o GP de Miami, onde eu nasci. Eu pensei que tudo poderia se encaixar”, disse.
Apesar da indisfarçável frustração, o neto de Emerson se mostrou pronto para outras chances que eventualmente surjam: “Mas tudo bem, não tem problema. No dia seguinte, você acorda e trabalha ainda mais. Outras oportunidades virão. O que quer que seja, eu disse para o Guenther que estou tão comprometido como sempre estive. Sempre que ele me puser no carro, estarei o mais preparado que puder”
Fittipaldi foi o responsável por pilotar o VF-22 no primeiro dia de testes no Barein, na quinta-feira (10). Nos dias subsequentes, Mick Schumacher e Kevin Magnussen assumirão o volante. Pietro pode voltar a pilotar em alguns treinos livres ao longo da temporada, já que há uma nova regra em 2022 que determina que as equipes cedam espaço para seus pilotos reservas em pelo menos duas sessões durante o ano.