Mercedes: dias difíceis à frente para a liderança
O mau desempenho não era blefe. Pelo menos no Bahrein. Toto Wolff e companhia terão de suar sangue…
A Mercedes está seis décimos atrás da Ferrari e nove décimos atrás da Red Bull. Esta frase já seria preocupante de qualquer forma. Mas quando vem da boca de Lewis Hamilton, ganha um significado todo especial. Em outros tempos, isso soaria como blefe que se tornou corriqueiro nos últimos anos. Mas agora, o jogo era outro.
Muita gente não acreditou quando surgiram os dados de que o W13 não parecia tão dominador quanto antigamente em Barcelona. Ok, todo mundo está escondendo o jogo, diziam. E além do mais, normalmente a Mercedes traz novidades nos últimos treinos que mudam todo o jogo. Nisso que acreditavam os torcedores da equipe e, especialmente, de Lewis Hamilton.
Quando o W13 apareceu praticamente sem laterais para os testes do Bahrein, o pensamento veio: lá vem eles de novo. Afinal, era um grande passo à frente (falamos nisso aqui). Se estimava um ganho de 1 segundo em relação a configuração de Barcelona. Se fosse verdade, seria melhor entregar logo as taças.
Só que fazer carro de F1, mesmo envolvendo o estado da arte da engenharia, não é ciência exata. Chamou a atenção a imagem de Hamilton e Russell batendo freneticamente no chão na reta do Bahrein. E os tempos não foram nada animadores. Seria blefe ainda? Maioria achava que sim, mas havia uma desilusão, especialmente quando se observavam Ferrari e Red Bull.
Os treinos oficiais desnudaram a questão. A Mercedes não conseguiu resolver o acerto do carro e o quique do W13 na reta ainda seguia. George Russell e Lewis Hamilton tentaram de tudo um para fazer com que o carro fosse competitivo. Para completar, o motor parecia não estar sendo usado a pleno. Tanto que, nos treinos de sexta-feira e no primeiro de sábado, os três carros mais lentos em reta eram equipados com os motores alemães.
No sábado, a coisa melhorou um pouco, mas era notório o esforço dos dois pilotos para segurar o carro. Embora o carro fosse bem nas curvas de baixa, nas de média havia problemas. Embora tenha melhorado a questão da velocidade final, o que fazia a Mercedes andar junto de Red Bull e Ferrari no último trecho da pista, o problema estava nos setores mais sinuoso. Para ter ideia, em um dado momento do Q2, Hamilton estava perdendo 7 décimos para Verstappen somente no primeiro setor.
Embora Andrew Shovlin, o responsável pela Engenharia da equipe, tenha dito que estavam trabalhando em diversas alturas do carro, pouco se evoluiu. Não é despropositado dizer que o 5º lugar no grid do Bahrein deu-se mais ao talento de Hamilton do que pelo carro. Tanto que Russell, que andou o tempo todo próximo ao heptacampeão, obteve somente um 9º lugar, mais de 1,6s atrás de Leclerc.
Aparentemente, a Mercedes realizou que este fim de semana, será de “administração de danos”. Vitória? Não se pode descartar, mas parece algo improvável neste momento. Toto Wolff e companhia sabem que muito trabalho terá que ser feito.
Não se pode acusar a Mercedes de falta de ousadia. Os zeropods são a prova de que a vontade de vencer está lá. Não se pode também dizer que a Mercedes está fora do páreo e que o W13 é uma porcaria. Mas em tempos de limitações sérias de recursos, a margem de manobra para achar o ajuste correto se reduz. A opinião geral é que o W13 é um carro com um potencial ainda a ser explorado. Não podemos subestimar a Mercedes, mas que agora a maré é desfavorável a eles. Ainda teremos 22 provas pela frente. Mas a perspectiva é que esta temporada será uma daquelas de “construção de caráter”. Será que agora vem o título sofrido que muitos cobram que falta a Hamilton?