Dakar 2026: Benavides vence por 2 segundos nas motos e Al-Attiyah brilha nos carros
Edição histórica na Arábia Saudita termina com finais eletrizantes em múltiplas categorias, marcadas por duelos acirrados e vitórias épicas
Luciano Benavides (Red Bull KTM) conquistou o Dakar 2026 nas motos com uma reviravolta dramática na derradeira 13.ª etapa, fechando a prova em 49h00'41''. O argentino superou Ricky Brabec (Honda) por exatos dois segundos — a menor margem da história da categoria. Nos carros, Nasser Saleh Al-Attiyah (Prodrive Dacia) ampliou a sua lenda com o sexto triunfo, completando a prova em 48h56m53s'. Dos 807 veículos que partiram, apenas 60% viram a meta em Shubaytah, numa edição definida por dunas monstruosas e pela estreia competitiva da Mission 1000.
Motos: O Erro de Brabec e a Glória de Benavides
Luciano Benavides, herdando a frieza tática da família, manteve-se na sombra durante a primeira semana (loop Yanbu-Shubaytah), acumulando penalidades mínimas. A sua cartada final veio no último dia: enquanto defendia uma liderança de mais de 3 minutos, Ricky Brabec cometeu um erro crucial de navegação nos últimos quilómetros. Benavides atacou a fundo, anulou a desvantagem e venceu pela margem mínima.
Tosha Schareina (Honda) fechou o pódio a 25m32s, com Adrien Van Beveren em quarto, completando um Top 4 dominado por Honda e KTM. A prova viu 42 abandonos nas duas rodas, muitos devido ao calor extremo de 50°C, onde a refrigeração adaptativa das KTM provou ser superior.
Carros: Al-Attiyah Intocável, Ford Surpreende
Tricampeão consecutivo antes desta edição, Nasser Al-Attiyah foi imperial, levando o Dacia Sandrider a seis vitórias em etapas. O catari geriu a vantagem na semana final, deixando a luta pelo pódio para os rivais.
A grande surpresa foi a performance da Ford. Nani Roma (Ford Raptor) garantiu um brilhante 2.º lugar, terminando a 9m42s do líder, após superar uma dura batalha nas etapas rochosas. Mattias Ekström (Ford) fechou o pódio em terceiro. Já Sébastien Loeb, no segundo Dacia, não conseguiu acompanhar o ritmo final e terminou num frustrante 4.º lugar, a mais de 15 minutos, afetado por furos na segunda semana. A taxa de conclusão de 68% nos carros destacou o sucesso das novas telemetrias via satélite na prevenção de falhas mecânicas.
Pesados e Leves: Iveco e Yamaha no Topo
Nos Caminhões (T5), Vaidotas Zala (Iveco) impôs a sua lei, vencendo com 27m14s de avanço sobre Mitchel van den Brink, graças a um desempenho imaculado nas dunas de 300m que dizimaram os eixos dos rivais.
Nos Quadriciclos, Laisvydas Kvelnys (Yamaha) dominou a seu bel-prazer, vencendo por 1h02m sobre Giovanni Enrico. Nos SxS/Challenger, Xavier de Soultrait (18m45s de vantagem) bateu a armada da Can-Am. A categoria cresceu 15%, impulsionada pelos elétricos da Mission 1000, enquanto a classe Ultimate brilhou com os novos protótipos off-road.