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Balanço da década (III): Jeep brilha no carrossel dos SUVs

Dez anos atrás, a Ford era líder de um segmento ignorado pelas montadoras. O jogo mudou e hoje quem manda são os Jeep Renegade e Compass

8 jan 2020
05h45
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Nenhum segmento mudou tanto nos últimos dez anos do que o de SUVs. De um mercado de 168 mil carros, em 2009, passou para 600 mil em 2019, estabelecendo-se como a segunda categoria mais vendida (atrás apenas dos hatches compactos). Quem era rei, o Ford EcoSport, hoje não passa de coadjuvante num mercado dominado pelos irmãos da Jeep, o Renegade e o Compass. Nenhuma marca consegue ser lucrativa hoje se não tiver um SUV competitivo no mercado. 

O Ford EcoSport reinou por dez anos, mas ficou perdido no carrossel.
O Ford EcoSport reinou por dez anos, mas ficou perdido no carrossel.
Foto: Divulgação

Existem várias formas de relembrar a história do mercado de SUVs na década que contamos de 2010 a 2019 (ok, sabemos que oficialmente a década só termina em 2020, mas preferimos nesse caso contar os anos de 0 a 9). Uma delas é sobre a transformação no conceito de utilitários esportivos, que nasceram como SUV raiz e hoje praticamente se transformaram no que um dia chamamos de crossovers. Não importa. Agora é SUV e é assim que os consumidores querem denominar seus carros.

O Jeep Renegade terminou a década com um robusto primeiro lugar.
O Jeep Renegade terminou a década com um robusto primeiro lugar.
Foto: Divulgação

Mas vamos contar a história fazendo uma referência com o futebol. Em 1970, com Pelé, Rivelino, Tostão e Gérson, entre outros craques, o Brasil maravilhou o mundo e ganhou o tricampeonato. A seleção brasileira então dormiu sobre os louros da vitória e foi para a Copa de 1974 considerando-se favorita. Mas quem brilhou naquela Copa, inclusive desclassificando o Brasil, foi a Holanda, que trouxe o conceito do futebol total, jogado com intensidade em todas as partes do campo. A seleção laranja de Cruyff, Neeskens, Rep & Cia ficou conhecida como Carrossel Holandês. Girando o tempo todo, os jogadores surpreendiam os adversários presos a táticas ultrapassadas.

Foi o que aconteceu com o Ford EcoSport no mercado de SUVs. Em 2009, o crossover originário do Fiesta liderou o mercado com 43.573 vendas. Atrás dele, bem distante, veio o Hyundai Tucson, um carro construído pela ousadia publicitária do Grupo Caoa, com 28.867 vendas. Em terceiro apareceu o Mitsubishi Pajero, com apenas 14.907 vendas. Em quarto (acredite) veio o Chevrolet Captiva. O Captiva, gente! Ele vendeu 13.584 unidades e ficou à frente do Honda HR-V.

O Chevrolet Captiva, quem diria, já foi um dos líderes do segmento.
O Chevrolet Captiva, quem diria, já foi um dos líderes do segmento.
Foto: Divulgação

Era ou não era uma vida muito fácil para o EcoSport? O primeiro aviso veio em 2012, quando a Renault colocou seu logotipo no Dacia Duster. Havia um concorrente e o Renault Duster acabou pegando a liderança quando o Eco mudou de geração. Logo o EcoSport retomou a liderança. Mas muitos erros foram cometidos na nova geração. Um deles foi a insistência no estepe do lado de fora quando a tendência global já rejeitava essa solução da virada do século. O outro foi dar pouca atenção à conectividade a bordo. O desastre para o EcoSport aconteceu em 2015, quando teve início uma enxurrada de lançamentos no segmento.

No meio da década, o ranking apontava o Honda HR-V como líder e novo queridinho dos brasileiros, com 51.155 vendas. Atrás dele aparecia o Jeep Renegade, reforçando o conceito de SUV, com 39.187 vendas. O Duster ficou em terceiro, à frente do EcoSport, com 34.325 e 33.861 vendas, respectivamente. Em quinto, vejam só, ainda aparecia o Hyundai ix35, colhendo a fama do velho Tucson, a quem sucedeu, com 14.729 emplacamentos. O mercado havia quase dobrado de tamanho e já registrava 306.146 SUVs vendidos em 2015. A categoria passara de 6,4% de participação em 2009 para 14,8% em 2015.

O Jeep Compass foi o carro mais importante na estratégia da FCA.
O Jeep Compass foi o carro mais importante na estratégia da FCA.
Foto: Divulgação

Foi nos últimos anos da década que o carrossel dos SUVs colocou o EcoSport definitivamente na roda, tirando todo seu protagonismo. A Ford até melhorou o carro, dotando-o de um motor muito potente e da melhor central multimídia do mercado, além de tirar o estepe externo de uma versão, mas já era tarde. Para os padrões atuais, o EcoSport se tornou um carro pequeno e que transmite um conceito do passado.

A década terminou sob o signo da Jeep. Mais do que o Renegade (atual líder com 68.726 vendas), o carro que mudou o segmento foi o Compass. Com ele, a FCA passou a ter lucros maiores, pois o carro inaugurou a categoria de médios produzidos no país com boa relação custo-benefício. Motor, câmbio, tração, conforto, conectividade e design foram muito bem acomodados no Jeep Compass. Ele vendeu 60.362 unidades em 2019 e praticamente não tem um concorrente direto (seu mais próximo rival é o VW Tiguan, que vem do México e tem ¼ de sua venda).

O VW T-Cross estreou tarde, mas é aposta boa para o futuro.
O VW T-Cross estreou tarde, mas é aposta boa para o futuro.
Foto: Divulgação

O Clube dos Cinco no reino dos SUVs é completado com três asiáticos: Hyundai Creta (57.460), Nissan Kicks (56.062) e Honda HR-V (49.488). Mas também digno de nota é o novíssimo T-Cross, da Volkswagen, que estreou muito tarde, mas já beliscou o sexto lugar, com 37.081 vendas, e tem potencial para disputar a liderança do segmento a partir de 2020. Um segmento que agora comercializa 600.143 carros/ano e responde por 26,6% do mercado. Perdido no carrossel dos SUVs, o EcoSport ocupa uma discreta sétima posição, com 34.206 licenciamentos, quase 10 mil a menos do que tinha uma década atrás, quando era o dono da bola.

 

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