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Avaliação: Fiat 500e é um elétrico realmente econômico

Primeiro carro elétrico da Fiat, o novo 500e surpreende no uso e mostra que pode dominar a categoria de compactos urbanos

22 set 2021 06h00
| atualizado em 5/10/2021 às 12h29
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Fiat 500e Icon.
Fiat 500e Icon.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

O Fiat 500e não é apenas um subcompacto elétrico; ele é um carro elétrico verdadeiramente econômico. O segredo está na combinação do motor elétrico com as baterias de íons de lítio. Para quem já rodou com o Mini Cooper S E, também 100% elétrico, e ficou assustado com a possibilidade de não chegar em casa, o Fiat 500e Icon foi uma grata surpresa.

Rodamos com o Fiat “Cinquecento” elétrico durante quatro dias, nas ruas de São Paulo e na Rodovia Castello Branco. Foi o mesmo trajeto que fizemos com o Mini Cooper elétrico, mas, ao contrário do carro inglês, o italiano tinha energia de sobra ao final do trajeto. O segredo é a sua combinação mais racional entre a potência do motor elétrico e a capacidade da bateria.

O Fiat 500e tem 87 kW de potência, o que equivale a 118 cv. A bateria tem capacidade de 42 kWh e o consumo é de 14 kWh a cada 100 km. Se dividirmos a  capacidade da bateria pelo consumo/100 km o resultado será 300 km. O carro está homologado para 320 km. Mas, na prática, faz menos (cerca de 260 km), embora a Fiat diga que, em condições excepcionais (ou seja, impossíveis de atingir) ele chega a absurdos 480 km de alcance. Não acredite nisso.

Fiat 500e Icon.
Fiat 500e Icon.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Já o Mini Cooper S E tem 137 kW de potência, o que equivale a 184 cv. Ou seja: uma vantagem de 76 cavalos (ou 50 kW). Entretanto, sua bateria tem menor capacidade, de apenas 32,6 kWh, e o consumo é maior, de 16,8 kWh/100 km. Ou seja: fazendo a mesma conta do Fiat, daria para rodar 194 km com o Mini. Mas o fabricante declara mais: 234 km. O máximo que conseguimos foi 140 km.

Na prática, porém, o Fiat 500e consegue ser muito mais econômico devido à sua potência reduzida, enquanto os 184 cv do Mini Cooper S E convidam a acelerar. Tanto é que a aceleração de 0 a 100 km/h do inglês é feita em 7,3 segundos, enquanto a do italiano leva 9 segundos. Porém, os dois carros têm a velocidade limitada em 150 km /h, pois acima disso o consumo de energia é altíssimo.

Então quer dizer que o Fiat 500 elétrico é “manco”. Não! Ele é mais racional. Qual é a vantagem de acelerar de 0 a 100 km/h um carro que você pode usar praticamente só na cidade? Pelo menos enquanto o Brasil não tiver uma vasta rede de carregamento, os carros totalmente elétricos são confinados às cidades. Dá para viajar, claro, mas é arriscado em alguns casos ou até impossível em alguns trajetos.

Fiat 500e Icon.
Fiat 500e Icon.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Além disso, por ser leve, o Fiat 500e oferece uma condução bem agradável. O torque não decepciona, são 220 Nm (contra 270 Nm do Mini Cooper). O "Cinquecento" elétrico consegue retomar a velocidade de 60 a 100 km/h em 4,8 segundos.Ele também é um carro menos chamativo nas ruas -- não é um modelo que ostenta, mas sim que atrai admiração. Além do design agradável, o Fiat 500e tem uma ótima multimídia, com tela bem horizontal de 10,25” e painel digital de 7”.

O acabamento é bom, mas os materiais usados não são da melhor qualidade. Nesse ponto, o Mini Cooper dá um verdadeiro banho no Fiat 500e. Plásticos duros, volante de direção com menor qualidade e ajustes manuais ruins nos bancos são detalhes que mostram o exagero da Fiat ao cobrar R$ 240 mil neste carro. Digamos que uns R$ 200 mil já estava para lá de bom para a qualidade e porte do carro.

Três itens do Fiat 500e são particularmente ruins. O primeiro é o teto solar, que não filtra o calor e irradia mormaço na cabine em dias muito quentes. Isso é culpa também da posição das saídas de ar do sistema de ventilação, que não alcançam o teto numa posição ideal para refrigerar bem o ambiente.

Fiat 500e Icon.
Fiat 500e Icon.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

O seletor de marchas num teclado também é uma invenção horrorosa, que tira a agilidade do motorista em algumas situações. Mas o pior de tudo é a abertura da porta por um botão (embora haja uma maçaneta de puxar escondida bem na parte de baixo do painel da porta). Como o carro não faz barulho ao ligar, há situações em que apertar o botão da porta e depois o de marcha-à-ré torna tudo muito confuso.

Da mesma forma, o carro não tem o console central na parte da frente. Tem a vantagem de aumentar o espaço num carro bem apertado, mas tira área importante de porta-objetos. A multimídia (ótima) tem conexão Android e Apple sem cabo. Um dos itens oferecidos é o Wi-Fi a bordo. Mas um novo console central oferece 5,7 litros de capacidade, um porta-copos atrás e um porta-copos adicional retrátil na frente.

O porta-malas de 185 litros está de acordo com a proposta do carro (são 27 litros a menos do que o do Mini). Considerando que o Fiat é 21,3 cm menor do que o Mini, está de bom tamanho.

Fiat 500e Icon.
Fiat 500e Icon.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Em relação ao Fiat 500 da segunda geração, que foi vendida no Brasil com motor a combustão interna, o novo carro teve a distância entre-eixos aumentada em 2,2 cm para abrigar a bateria elétrica. Ele cresceu 6,1 cm no comprimento, 5,7 cm na largura e 2,9 cm na altura. O carro é fabricado na Itália. A única versão disponível no Brasil é a Icon, com quatro opções de cores e rodas de liga leve de 16”. 

O carro tem três modos de condução: Normal, Range e Sherpa (máximo de 80 km/h), que podem ser selecionados no console central, combinando com o seu estilo de condução. O modo Range é o mais interessante para rodar quando há necessidade de economizar bateria, pois é o “one pedal drive”, ou seja, o carro freia quando você tira o pé do pedal do acelerador. Com um dia de uso você já está craque nesse tipo de condução e isso deixa a bateria sempre com boa carga

FIAT 500E
ITEMCONCEITONOTA
MOTORBom6
CÂMBIOÓtimo10
SUSPENSÃOMuito bom7
FREIOSÓtimo9
DIREÇÃOMuito bom8
EQUIPAMENTOSMuito bom7
ERGONOMIABom6
PORTA-MALASBásico3
ACABAMENTOBom6
DESIGNÓtimo10
VEREDICTOMuito bom7,2

Os números

  • Preço: R$ 239.990 
  • Motor: 1 elétrico de 87 kW
  • Potência: 118 cv a 1 rpm
  • Torque: 220 Nm a 1 rpm
  • Câmbio: 1 marcha AT
  • Comprimento: 3,632 m 
  • Largura: 1,683 m 
  • Altura: 1,527 m
  • Entre-eixos: 2,322 m
  • Vão livre: 147 mm
  • Peso: 1.290 kg
  • Pneus: 195/55 R16
  • Porta-malas: 185 litros
  • Carga útil: 408 kg
  • Bateria: 42 kWh
  • 0-100 km/h: 9s0
  • Velocidade máxima: 150 km/h
  • Alcance: 320 km
  • Consumo elétrico: 14 kWh/100 km
  • Emissão de CO2: 0 g/km
Guia do Carro
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