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Ainda existe espaço para carros como o Honda Civic Si?

Ele tem tudo que a maioria evita: câmbio manual, duas portas e suspensão dura. Mas é justamente por isso amamos o Civic Si. Alguém mais?

4 dez 2020
16h06
atualizado às 16h08
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Honda Civic Si 2020: chegou em julho e agora está custando R$ 184.900.
Honda Civic Si 2020: chegou em julho e agora está custando R$ 184.900.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

O Honda Civic Si tem tudo que a maioria dos consumidores rejeita na atualidade: câmbio manual, carroceria cupê com duas portas, posição de dirigir bem baixa e suspensão dura. Exatamente por isso é um carro apaixonante. Exatamente por isso, amamos o Civic Si. Mas quem gosta deste tipo de carro é minoria. Por isso, cabe a pergunta: ainda existe espaço para carros como o Honda Civic Si?

Para quem gosta de carro esportivo “raiz”, o Civic Si está com preço interessante. Ele chegou em julho custando R$ 179.900. Muitos acharam caro, com o argumento de que  era um Honda e não um BMW ou um Audi. Mas, passados cinco meses, o preço nem subiu tanto, comparando com o que aconteceu no mercado: foi R$ 184.900. As cores são Platinum White, Crystal Black e Rallye Red (como no carro avaliado).

Para além disso, existe outro fator: como o Civic Si é importado do Canadá, o modelo 2020 pode não ter sucessor no Brasil. A Honda já decidiu encerrar a produção do Civic cupê, que não terá linha 2021. Portanto, só se a Honda decidir importar do Japão, o que tornará a versão Si ainda mais cara. Em julho, apresentamos as novidades do Civic Si 2020. Agora tivemos a chance de experimentá-lo.

Rodas pretas de 18": novidade no modelo 2020.
Rodas pretas de 18": novidade no modelo 2020.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

 Visualmente, ele ganhou rodas pretas e novas molduras para os faróis de neblina, que agora também são de LED. Pintadas de preto, as rodas de 18” (pneus 235/40) realçam ainda mais a esportividade do Civic Si. É impressionante como este Honda chama a atenção de outros motoristas na rua. A parte traseira, com um enorme aerofólio, também reforça o design marcante.

Por dentro, o painel ganhou novos elementos em vermelho. O Civic Si 2020 ganhou ainda sensor de chuva e carregamento do celular por indução. De forma geral, o Civic Si já era bem conhecido nesta geração. A questão que colocamos aqui é se existe espaço para um esportivo “raiz” no mercado brasileiro. A Honda não quis divulgar quantas unidades vende desta versão.

O câmbio manual de seis marchas, com engates curtos e precisos, é o grande charme do carro. Nada de borboleta no volante (como os esportivos automáticos), é manual mesmo, obrigando o motorista a encaixar as engrenagens por meio de movimentos na alavanca de câmbio -- para trás, para frente, para os lados. Aqui não tem nada sequencial; é possível sair em segunda, ou então reduzir diretamente de quinta para terceira, ou de sexta para quarta, pois o câmbio tem seis marchas.

Enorme aerofólio é um dos detalhes de estilo que mais chamam atenção no Civic Si.
Enorme aerofólio é um dos detalhes de estilo que mais chamam atenção no Civic Si.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Para dirigir carros esportivos como o Honda Civic Si, é preciso ter boa coordenação de pés e mãos. O pé esquerdo fica o tempo todo trabalhando. E a embreagem tem o tempo certo de curso, para que o motor não gire em falso. Ou seja: nada além do que os motoristas de carros com câmbio manual fazem diariamente nas ruas e estradas do mundo, porém com a dose de esportividade que só o Civic Si entrega na sua categoria por menos de R$ 200 mil.

O mercado brasileiro tem também o Renault Sandero R.S., mas numa categoria bem inferior e com menos potência. Equipado com o motor 1.5 turbo que equipa o Civic Touring sedã, o Civic Si é bem mais potente. Ao contrário do sedã de 173 cv, ele tem 208 cv (+35 cv). Essa cavalaria extra veio de um turbocompressor maior e com maior pressão. Como relação peso/potência é de apenas 6,4 kg/cv, o Civic Si tem arrancadas vigorosas (vai de 0 a 100 km/h em 7,2 segundos).

O Civic Si chega fácil nas 5.700 rpm de entrega da potência máxima. Convém ficar atento ao conta-giros porque a 6.000 rpm o motor corta automaticamente a potência. O torque surge a 2.100 giros e chega a 260 Nm. Com injeção direta e duplo comando de válvulas variável, neste motor o torque surge antes do que no antigo 2.4 aspirado, porém ele não é tão elástico -- para melhor aproveitamento, as marchas devem ser trocadas antes. O Civic Si pode tranquilamente ser usado no dia-a-dia, mas não é para qualquer um.

Honda decidiu parar a fabricação do Civic cupê no Canadá: este pode ser o último Si no Brasil.
Honda decidiu parar a fabricação do Civic cupê no Canadá: este pode ser o último Si no Brasil.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

O porta-malas é bom (334 litros), mas para levar alguém no banco de trás é complicado. Adultos certamente vão sentir alguma claustrofobia, pois não há portas nem abertura das janelas. Além disso, os passageiros ficam afundados no assento. Se alguém quiser usar cadeirinha de bebê, vale a pena não ficar colocando e tirando toda hora, pois o acesso é complicado.

Mas quem compra um Civic Si não está interessado em certas praticidades. É verdade que o carro tem uma boa multimídia 7”, com Android Auto e Apple CarPlay, mas o prazer está mesmo na condução. A aceleração é boa, mas exige que o motorista tenha boa coordenação nos pés. O câmbio aceita trocas rápidas e é preciso, como já dissemos. A direção também reage rápido aos movimentos do motorista. A suspensão é mais dura e isso também exige pisos bons, o que nem sempre se encontra no Brasil. Mas, como tem amortecedores adaptativos, o Civic Si não chega a ser desconfortável com pequenas oscilações.

Por dentro tudo de bom para o motorista, mas não queira andar no banco de trás.
Por dentro tudo de bom para o motorista, mas não queira andar no banco de trás.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Para dar ao carro um comportamento dinâmico mais esportivo, a Honda instalou molas mais firmes, buchas sólidas e barras estabilizadoras mais rígidas, especialmente na parte traseira. Os braços de controle da traseira são oriundas do Civic Type R, que é ainda mais esportivo (e que já dirigimos no Japão, a convite da Honda). O comportamento dinâmico nas frenagens também é neutro, sem desvios.

Para quem não quer extrair o máximo de esportividade do Civic Si, é possível escolher o modo de condução normal no console central. A tecla Sport modifica os parâmetros da suspensão, do acelerador e da assistência de direção. Na linha 2020 a Honda acrescentou o Active Sound Control, uma tecnologia que usa o sistema de áudio para amplificar o som do motor durante uma condução mais agressiva. Mesmo assim, não é a mesma experiência que havia quando o Civic Si usava o motor 2.4 aspirado, na geração anterior.

Em nossa opinião, existe, sim, um mercado para carros como o Honda Civic Si. Porém, ele é pequeno e cada vez menor. Por isso, os fabricantes devem pesar muito bem o custo-benefício para o consumidor. Não é porque são raros que esses compradores estão dispostos a pagar valores absurdos para ter um esportivo “raiz”. 

Os números

  • Preço: R$ 184.900
  • Motor: 1.5 turbo (gasolina)
  • Potência: 208 cv a 5.700 rpm
  • Torque: 260 Nm a 2.100 rpm
  • Câmbio: 6 marchas MT
  • Comprimento: 4,522 m
  • Largura: 1,799 m
  • Altura: 1,421 m
  • Entre-eixos: 2,700 m
  • Peso: 1.321 kg
  • Pneus: 235/40 R18
  • Porta-malas: 334 litros
  • Tanque: 47 litros
  • 0-100 km/h: 7s2
  • Velocidade máxima: 238 km/h
  • Consumo cidade: 11,2 km/l
  • Consumo estrada: 13,7 km/l
  • Emissão de CO2: n/d

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Guia do Carro
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