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Ursos se proliferam na Rússia e já mataram 30 em 2026

2 nov 2026 - 18h46
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Resumo
Ataques de ursos mataram 30 pessoas na Rússia em 2026, gerando toques de recolher e pânico em vilarejos. Com uma população que dobrou em três décadas, chegando a 308 mil animais, a crise é agravada por invernos amenos, secas e incêndios que escasseiam o alimento silvestre e empurram os predadores para áreas urbanas. Como resposta à invasão, autoridades locais passaram a pagar recompensas e incentivam o abate emergencial de centenas de ursos até a chegada do período de hibernação.

População do animal mais que dobrou em três décadas na Rússia. Invernos mais amenos, incêndios florestais, escassez de alimentos silvestres e a busca por comida em áreas habitadas agravam a crise.O número de mortos por ataques de ursos em 2026 na Rússia chegou a 30 nesta segunda-feira (2/11), após a morte de um homem de 62 anos na região siberiana de Tomsk.

Rússia convoca caçadores para conter avanço de ursos em áreas urbanas. Mudanças climáticas agravam crise
Rússia convoca caçadores para conter avanço de ursos em áreas urbanas. Mudanças climáticas agravam crise
Foto: DW / Deutsche Welle

Os números são tratados como incomuns pelas autoridades do país, em especial porque a maior parte dos encontros fatais aconteceram em um período de poucos meses, entre setembro e o começo de novembro. Vilarejos em diversas regiões decretaram toques de recolher para proteger os moradores.

A população de ursos-pardos na Rússia mais que dobrou nas últimas três décadas e atingiu cerca de 308 mil indivíduos, segundo dados do governo federal. Especialistas ouvidos pela imprensa russa atribuem parte desse crescimento a invernos mais curtos e amenos.

Além do aumento da população, os mamíferos também foram forçados a buscar alimento em áreas mais distantes neste ano. De acordo com os especialistas, uma primavera precoce e seca atribuída às mudanças climáticas reduziu a oferta de frutas silvestres, uma das principais fontes de alimentação dos ursos. Incêndios florestais também empurraram os animais para áreas urbanas, onde acabam atraídos por restos de comida deixados por moradores e turistas.

Com isso, aumentou o número de ataques em áreas habitadas de regiões como a Sibéria e o Extremo Oriente russo nos últimos meses, levando autoridades a buscar formas de controlar o problema.

Campanhas para abater ursos

Em 2025, no Japão, o Exército chegou a ser mobilizado para conter o avanço dos animais. Na Rússia, a escolha tem sido pelo incentivo ao abate dos animais. Na região de Irkutsk, as autoridades lançaram uma campanha para a caça de mais de 500 ursos-pardos, após a série de ataques fatais.

O governador Igor Kobzev afirmou que, desde o início da operação, em 2 de outubro, os serviços de emergência recebem diariamente até 80 chamadas relacionadas à presença de ursos em áreas urbanas.

Ataques também foram registrados em Buriátia, Kamchatka, Kemerovo, Novosibirsk e Komi, esta última localizada na parte europeia da Rússia. Casos ocorreram ainda nas proximidades da cidade turística de Sochi, às margens do mar Negro.

Nas áreas próximas ao lago Baikal, autoridades oferecem recompensas de até 15 mil rublos (cerca de R$ 1000) por cada urso abatido. Em Tomsk, o valor pode chegar ao dobro, segundo o departamento regional de pesca e caça.

O Partido Verde pediu à Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo, a criação de multas de até 30 mil rublos (R$ 2 mil) para pessoas que alimentem deliberadamente os animais ou descartem resíduos de forma inadequada, práticas consideradas responsáveis por atrair os ursos para áreas habitadas.

Em Krasnoyarsk, região da Sibéria que abriga quase 27 mil ursos, investigadores abriram um processo criminal contra o ministério regional do Meio Ambiente. A acusação é de que o órgão não teria mantido a população de ursos sob controle.

A expectativa é que a crise perca força até o fim do ano, quando os animais retornam às tocas para o período de hibernação.

Moradores relatam medo constante

Em Podtesovo, assentamento com cerca de 3.500 habitantes às margens do rio Ienissei, uma cruz de madeira marca o túmulo de Zoya Gubanova, aposentada de 67 anos morta por um urso em 31 de agosto enquanto colhia cogumelos, uma atividade popular na Rússia.

Em entrevista à Reuters em meados de outubro, a moradora Yulia Markova afirmou que a situação se tornou insustentável.

"Estamos vivendo com medo há quase dois meses. Não conseguimos nem sair para caminhar à noite. As pessoas têm medo de deixar os filhos saírem sozinhos. Não se trata de um animal dócil, mas de um predador selvagem", disse.

Segundo Markova, os moradores inicialmente sentiram pena dos animais devido à escassez de alimentos naturais neste ano. O sentimento, porém, mudou à medida que os ursos passaram a entrar com frequência no assentamento. "Nunca tínhamos visto uma invasão como esta antes", afirmou.

Ursos invadem parques e áreas residenciais

A gestante Valeriya Efremova relatou que o aumento da presença dos ursos transformou a rotina da comunidade.

"Quando os ursos começaram a sair da floresta, reduzimos ao máximo os passeios, inclusive ao parque. Foi assustador porque eles chegaram a entrar nos locais onde as crianças brincam. Sair depois de escurecer estava fora de cogitação. Mesmo agora, com a redução dos avistamentos, continuamos atentos o tempo todo", disse.

Outro morador, Nikolai Zhilinsky, afirmou que a população aguarda a chegada do frio e o início da hibernação dos animais, mas teme que nem todos se recolham às tocas.

"Não temos certeza de que todos os ursos vão hibernar. Há muitos deles e eles estão com fome", afirmou.

Vladimir Vagin contou que os moradores passaram a temer ataques até mesmo dentro de suas propriedades. Ao mostrar uma área próxima a um arbusto de framboesas em seu quintal, disse acreditar que um urso havia passado pelo local recentemente.

gq (EFE, Reuters, OTS)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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