Trump afirma que acordo tarifário com a China avança 'muito bem'; Lula conversa com Xi Jinping
Em meio ao fim de uma trégua tarifária, Donald Trump declarou nesta segunda-feira (11) que as conversas com a China seguem "muito bem". A afirmação foi feita horas antes de expirar o prazo que suspendeu aumentos de tarifas entre as duas maiores economias do mundo.
"Veremos o que acontece (…) A relação entre mim e o presidente Xi (Jinping) é muito boa", disse o americano em entrevista coletiva.
Pouco antes, Pequim afirmou esperar um desfecho "positivo" para as negociações. "Esperamos que os Estados Unidos colaborem com a China para respeitar o importante consenso obtido durante a conversa telefônica entre os dois chefes de Estado (…) E se esforcem para conseguir resultados positivos com base na igualdade, no respeito e no benefício mútuo", afirmou Lin Jain, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.
Desde o início de seu primeiro mandato, Trump direcionou forte pressão à China. O democrata Joe Biden, que o sucedeu, manteve a postura. Com o retorno do republicano à Casa Branca em janeiro, a pressão aumentou.
O atual governo norte-americano impôs nova tarifa de 10% sobre produtos chineses para combater o tráfico de fentanil, além de sobretaxa de 20% nas chamadas tarifas "recíprocas" em abril. As medidas levaram a uma reação de Pequim, que elevou tarifas para até 145% sobre itens dos EUA, antes de ambas as partes recuarem em maio, em reunião em Genebra.
Negociações e incertezas
Para evitar nova escalada, representantes de Estados Unidos e China se encontraram em Londres e Estocolmo. O representante comercial americano, Jamieson Greer, afirmou que Trump teria a "última palavra" sobre a prorrogação da trégua. O secretário de Comércio, Howard Lutnick, disse esperar que o prazo seja estendido "por mais 90 dias (…) essa é a minha impressão".
Enquanto isso, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone com Xi Jinping na noite desta segunda-feira. Segundo o Palácio do Planalto, o diálogo durou cerca de uma hora e abordou "a atual conjuntura internacional e os recentes esforços pela paz entre Rússia e Ucrânia". Os dois líderes também trataram do papel do G20 e do Brics no multilateralismo.
"O presidente Lula reiterou a importância que a China terá para o sucesso da COP 30 e no combate à mudança do clima. O presidente Xi indicou que a China estará representada em Belém por delegação de alto nível e que vai trabalhar com o Brasil para o êxito da conferência", informou a nota.
Brasil e China integram o Brics, bloco que, na visão de Trump, é rival estratégico. Lula manteve, nos últimos dias, contato com outros dois líderes do grupo: o indiano Narendra Modi, na quinta-feira, e o russo Vladimir Putin, no sábado.
O telefonema com Modi ocorreu após os EUA anunciarem tarifa adicional de 25% sobre produtos indianos, elevando a carga para 50%, mesma aplicada ao Brasil. Já a conversa com Putin foi iniciativa do próprio russo, que detalhou "discussões em curso com os Estados Unidos" e iniciativas de paz.
"O presidente Lula enfatizou que o Brasil sempre apoiou o diálogo e a busca de uma solução pacífica e reafirmou que o seu governo está à disposição para contribuir com o que for necessário, inclusive no âmbito do Grupo de Amigos da Paz, lançado por iniciativa de Brasil e China", registra a nota oficial.
Segundo o Planalto, Putin parabenizou o Brasil pelos resultados da última Cúpula do Brics, realizada no Rio de Janeiro, e concordou em retomar a Comissão de Alto Nível de Cooperação Brasil-Rússia ainda neste ano.