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Sudeste concentra 60% das startups brasileiras de saúde, revela estudo

Existem hoje 386 startups de saúde no Brasil; nenhuma delas é da região Norte

12 set 2019
07h11
atualizado às 15h44
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Cerca de 60% das startups de saúde brasileiras, as chamadas healthtechs, têm sede na região Sudeste, enquanto outros 28% são da região Sul. A concentração das healthtechs no País são um dos dados que mais chamam a atenção em estudo realizado pelo Dataminer, braço de pesquisa da consultoria de inovação Distrito. O levantamento será divulgado nesta quinta-feira, 12 e obtido com exclusividade pelo Estado. De acordo com a pesquisa, existem hoje 386 startups de saúde no Brasil, sendo que nenhuma delas está localizada na região Norte.

Quando analisada a presença de healthtechs por estado, São Paulo se destaca, com aproximadamente 40% - em seguida aparecem os estados de Rio Grande do Sul e Minas Gerais. A concentração no Sudeste não acontece só com as healthtechs: recentemente, a pesquisa Radar AgTech mostrou que a região concentra dois terços das startups do agronegócio no Brasil.

De acordo com o estudo, a gestão da saúde é a área que mais atrai startups: cerca de 23% das empresas mapeadas oferecem soluções desse tipo. O Distrito considerou que existem hoje no Brasil healthtechs de diferentes categorias, incluindo farmácia e diagnóstico, inteligência artificial e tecnologias para o monitoramento de pacientes.

"A área de gestão acaba se sobressaindo porque corresponde principalmente a softwares, que são serviços que têm uma barreira de entrada menor, já que exigem apenas conhecimento de programação e não da medicina com um todo", explica Gustavo Verginelli, fundador do Distrito, em entrevista ao Estado. "Incentivar pessoas da área acadêmica da medicina a serem empreendedores ou mentores pode ser uma forma de explorar novas oportunidades, como o uso de inteligência artificial para escolher o melhor tratamento para determinado paciente".

O estudo revela que cerca de metade das startups de saúde apresenta soluções para empresas e a outra metade para o consumidor, o que mostra um equilíbrio entre o tipo de serviço prestado pelas empresas.

Em geral, as healthtechs brasileiras têm poucos funcionários: 94% delas têm até 50 pessoas na equipe, mostra a pesquisa. Outro ponto importante do estudo é que as dez maiores healthtechs do Brasil foram fundadas apenas por homens. "O segmento da saúde é conservador, e com isso se perde muita oportunidade. As mulheres podem fazer a diferença em diversas áreas, e principalmente na saúde da mulher, que não pode ser resolvida sem elas", diz o fundador do Distrito.

No Brasil, o setor de healthtechs ainda está atrás de outras áreas como as fintechs, de serviços financeiros - ainda não há nenhuma startup brasileira de saúde avaliada em mais de US$ 1 bilhão, sendo que no País já existem fintechs como o Nubank que valem cerca de US$ 10 bilhões. Para Verginelli, um dos motivos para a lentidão no desenvolvimento das tecnologias em saúde é a regulação do setor: "Os empreendedores acabam tendo dúvidas sobre o que é permitido ou não nesse mercado, e tudo exige muitos testes".

Lá fora

O estudo também revelou números globais sobre o setor de healthtechs. Ao redor do mundo, já existem 37 healthtechs que podem ser chamadas de unicórnios (empresas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão), sendo que a maior parte delas nos Estados Unidos e na China.

Também houve um aumento de investimento no setor, segundo a pesquisa. Entre os anos de 2013 e 2014, o volume de aportes em healthtechs deu um salto de US$ 2,8 bilhões para US$ 7,1 bilhões.

Estadão
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