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Startup Urbem, de madeira para obras, recebe aporte de R$ 103 milhões

Empresa desbrava o segmento de materiais de construção, apontado como uma grande promessa do mercado imobiliário

3 set 2021 11h01
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A Urbem, startup criada para produzir vigas, pilares e lajes de madeira, acaba de receber um aporte de R$ 103 milhões para desbravar o segmento de materiais de construção, apontado como uma grande promessa do mercado imobiliário.

Com o investimento, a construtech (como são chamadas as startups de construção civil) passa a ser uma empresa independente. Até então, ela estava em processo de incubação pela Amata, grupo que faz o plantio e manejo de florestas para extração de madeira.

A maior parte dos investimentos, R$ 73 milhões, partiu dos quatro sócios da Amata - Guilherme Leal e Luiz Seabra (Natura), Marili Mattos e Dario Guarita Neto. Juntos, eles terão 76% da Urbem. Os outros R$ 30 milhões vieram do DX Ventures, fundo de investimento criado pela fabricante de materiais de construção Dexco (novo nome da Duratex), que ficará com uma fatia de 24% da startup.

O dinheiro será aplicado na montagem da fábrica da Urbem em Almirante Tamandaré (PR), na região de Curitiba. A previsão é que a unidade industrial entre em operação no segundo semestre de 2022. A fábrica terá capacidade de produzir 100 mil metros cúbicos de madeira, o suficiente para a 500 mil metros quadrados de obras.

A Urbem trabalha com um item chamado madeira engenheirada, criado na Europa há cerca de 20 e ainda inexplorado por aqui. São peças de madeira capazes de exercer funções de sustentação nas edificações, algo que hoje é trabalho de vigas e pilares de concreto ou metal.

"O mercado de madeira para construção no Brasil ainda é muito incipiente. Mas lá fora, já existem muitas aplicações, em imóveis de um ou mais pavimentos", diz Ana Cristina Bastos, presidente executiva da Urbem. A intenção, segundo ela, é passar a atender obras de casas, prédios, galpões, escolas e hospitais, entre outros.

Modelos

Nos Estados Unidos e na Europa, há casos de prédios de até 20 andares feitos com madeira engenheirada. A nova sede do Walmart, no Arkansas, tem sido usada como vitrine da nova tecnologia.

O primeiro exemplo dessa aplicação no Brasil é a loja-conceito da Dengo Chocolates, rede de Guilherme Leal. A unidade fica na Av. Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo. Os insumos para a obra foram importados pela Urbem, em parceria com a empresa austríaca KLH, referência no ramo.

Por aqui, algumas incorporadoras estão estudando desenvolver empreendimentos nesse modelo. É o caso da construtech Noah Tech, fundada em 2020, e que pretende lançar um prédio de 11 andares na Vila Madalena nesse modelo. A HTB, grupo com mais de 50 anos de existência, também tem projetos de aplicação de madeira na construção civil, porém combinada como elementos de concreto.

É importante não confundir esses projetos com os da Tenda e da Tecverde, por exemplo, que adotam o "woodframe". Neste caso, também são estruturadas de madeira, porém com menor capacidade de carga e mais recomendada para edificações menores. Já a madeira engenheirada tem peças maciças, feitas geralmente de pinus.

O segmento é visto como promissor porque transforma canteiros de obras em um espaço de montagem de peças, com redução de custos, prazos e resíduos. Além disso, se alinha à agenda de boas práticas ambientais, já que a madeira vem de florestas plantadas.

"Há mercado para isso em função da busca por industrialização e sustentabilidade. Está sendo aberto e ainda vai ser consolidado. Tem um potencial enorme", afirma o presidente do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), Roberto de Souza.

Segundo Souza, não há impeditivos legais para a construção com madeira. No entanto, diz ele, o setor ainda precisar evoluir em normas técnicas locais que servem de referência para esse tipo de aplicação. "Os construtores, arquitetos e projetistas estão começando a estudar esse negócio mais a fundo", afirma.

Estadão
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