Câmeras com IA identificam motoristas sem cinto e ao celular no Rodoanel em SP
Tecnologia passou por testes e está em vigor 24 horas por dia nos trechos Sul e Leste da rodovia
Motoristas que circulam pelos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas, na Grande São Paulo, já estão sendo monitorados por um novo sistema de câmeras equipadas com inteligência artificial (IA). Desde o dia 1º de julho, essa tecnologia é capaz de identificar infrações de trânsito, como o uso do celular ao volante e a falta do cinto de segurança, além de detectar situações de risco na rodovia.
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Apesar da função ser parecida, essas câmeras não são radares. Os equipamentos têm uma função diferente. Além de fiscalizar a velocidade, as câmeras utilizam inteligência artificial para analisar automaticamente milhares de imagens em tempo real e apontar ocorrências que, depois, são verificadas por um policial militar rodoviário.
Segundo a concessionária SPMar, que é responsável pelo Rodoanel, a adoção dessa tecnologia surgiu devido ao aumento de colisões traseiras nos últimos anos, motivadas pelo uso de celulares ao volante.
"O usuário está sempre conectado, e isso traz um risco para a rodovia no sentido de provocar acidente. Como medida para mitigação veio a tecnologia”, diz o Gerente de Inovação e Tecnologia da SPMar, Thiago Cavalcante.
IA ajuda a refinar informações
A principal diferença entre as novas câmeras com IA e os radares tradicionais está na capacidade de processamento. Em vez de depender da análise manual de milhares de imagens, a inteligência artificial faz uma triagem automática e identifica quais registros têm potencial para configurar uma infração.
De forma manual, um analista ou um policial tem que fazer a análise de milhares de passagens dentro de 24 horas. Ficava praticamente inviável ou humanamente impossível. A inteligência artificial veio acelerar essas análises. Então, com esse pacote de informação, que praticamente 174 mil veículos passam pelo Rodoanel por dia, a IA consegue em horas processar todas essas imagens e classificar ela como uma potencial infração”, explica Cavalcante.
“Então, a tecnologia proporcionou esse ganho de performance, de quantidade, você vê o todo, não apenas cenários específicos”, completa.
Como funciona a IA
A IA utilizada no sistema já vem incorporada às próprias câmeras. Segundo a SPMar, o equipamento foi desenvolvido pelo fabricante e chega pronto para operação, sem necessidade de treinamento do modelo pela concessionária.
"O processamento acontece dentro da própria câmera. Ela já foi treinada com milhares de imagens por meio de aprendizado de máquina e consegue reconhecer automaticamente diferentes situações", diz Cavalcante.
Assim que identifica uma possível infração, a câmera envia a imagem, em poucos milissegundos, para um sistema compartilhado com a Polícia Militar Rodoviária. Isso significa que, apesar da automação, a decisão final continua sendo humana.
Após o registro feito pela inteligência artificial, um policial militar rodoviário analisa a imagem para verificar se há elementos suficientes para confirmar a infração. Apenas depois dessa validação é que a autuação pode ser emitida.
"Hoje não existe nenhuma norma que permita a aplicação automática da multa. A inteligência artificial faz a classificação, mas quem aprova ou não a infração é o policial", afirma Cavalcante.
A concessionária ressalta que imagens sem nitidez ou que não comprovem claramente a irregularidade são descartadas durante essa análise.
Tecnologia vai além das infrações
Além de identificar motoristas usando celular ou sem cinto de segurança, as câmeras também monitoram diferentes situações que podem comprometer a segurança viária.
Entre elas estão:
- Veículos parados na pista
- Objetos sobre a via
- Animais na rodovia
- Pedestres caminhando pelo acostamento ou pista
- Circulação de veículos na contramão
- Congestionamentos
- Focos de fogo ou fumaça
- Caminhões trafegando em faixas proibidas
Segundo a concessionária, o sistema também consegue identificar padrões relacionados à velocidade dos veículos. No entanto, diferentemente dos radares tradicionais, ele não faz a medição oficial da velocidade.
Mais de 7 mil flagrantes durante testes
Antes do início oficial da fiscalização, a tecnologia passou por uma fase de testes entre 12 de maio e 29 de junho. Nesse período, as câmeras registraram 7.297 possíveis infrações, média de 149 flagrantes por dia, segundo a SPMar.
Do total:
- 3.335 registros eram de motoristas sem cinto de segurança
- 1.956 mostravam passageiros sem cinto
- 1.369 flagraram condutores utilizando o celular ao volante
Com o sistema atualmente em operação, os registros continuam sendo encaminhados à Polícia Militar Rodoviária (PMR), que é responsável pela validação e eventual emissão das multas.
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