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Startup Beegol recebe aporte de R$ 11 mi para melhorar conexões de internet

A startup criou um software que detecta e reporta problemas na rede de internet

27 jan 2022 08h10
| atualizado às 12h11
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A Beegol, startup que trabalha desenvolvendo software para conexões de internet, anuncia nesta quinta-feira, 27, um aporte de R$ 11 milhões para investir em um sistema de coleta e análise de dados sobre a qualidade da internet para usuários no Brasil. A rodada foi liderada pela Indicator Capital, gestora brasileira de venture capital e será complementada em até 18 meses com mais R$ 11 milhões, elevando o valor total para R$ 22 milhões.

Com o aporte, a startup planeja investir em seu processo de globalização, por entender que existem semelhanças no funcionamento e nos problemas de redes de internet em todo mundo. A empresa também quer apostar em melhorias no software, para oferecer um maior número de dados captados para os clientes.

Fundada em 2019, por Gilberto Mayor e Charles Hong, a Beegol quer melhorar a maneira como as pessoas se conectam à internet. Segundo a startup, operadoras gastam de 6% a 10% da receita anual para tratar problemas técnicos, incluindo chamadas ao call center e reparos —que são hoje uma das principais causas de insatisfação de quem possui esse tipo de serviço. Para a startup, o objetivo é reduzir custos para as operadoras e aumentar a satisfação do cliente.

"Todas as operadoras do mundo têm as mesmas dores em relação a banda larga e Wi-Fi. A plataforma Beegol, inteiramente baseada em software, resolve este desafio de maneira holística, sem necessidade de mudança dos sistemas legados e podendo ser rapidamente implementada em qualquer lugar do mundo. O investimento e parceria com a Indicator aceleram nosso processo de globalização". Afirmou Gilberto Mayor, CEO e fundador da Beegol.

Para isso, a Beegol desenvolveu uma plataforma que monitora, identifica, antecipa e localiza problemas na rede, utilizando dados coletados em tempo real por meio de um software instalado no modem de internet dos usuários. Este software, que funciona com inteligência artificial (IA) coleta dados de todos os componentes da rede, incluindo rede Wi-Fi, rede de acesso (cabo ou fibra) e até da rede de transporte e seus componentes chave como DNS (Sistema de nome de domínio) e CDN (Rede de Distribuição de Conteúdo).

Assim, o sistema da empresa consegue detectar mais precisamente a origem de degradações e interrupções, inclusive localizando a causa do problema - se ocorreu na casa do cliente ou no Wi-Fi ou se é um problema que afeta vários clientes na rede de acesso ou transporte, por exemplo. A plataforma garante ao operador o domínio sobre os dados coletados, mas não armazena nenhum deles em seus servidores.

Atualmente, a Beegol trabalha com cerca de 63 funcionários e o modelo de negócios funciona por meio de contratos com as operadoras de internet e pelo número de clientes que utilizam o software por operadora.

Expansão

Segundo a Beegol, a empresa nasceu de maneira globalizada, tendo escritórios espalhados pela América Latina e Estados Unidos. A Europa também entrou, recentemente, para o radar da startup: um escritório que será aberto em Lisboa, em Abril.

Para o confundador da Indicator Capital, Fábio Iunis de Paula, a empresa oferece um serviço com condições para alavancar o negócio, em um momento onde a qualidade da internet é um dos itens de maior prioridade em tempos de home office. "A Beegol tem um potencial de crescimento enorme, não só aqui no Brasil mas internacionalmente, pois atua em um mercado gigante e resolve essa dor que é o ponto vulnerável da infraestrutura de telecomunicações e internet em todo o mundo."

O avanço da tecnologia 5G e a continuidade de um grande volume de pessoas realizando suas atividades em casa, mesmo com o retorno pós-pandemia, também contribuem para o desenvolvimento da empresa. São mais dispositivos conectados em rede, passíveis de falhas e que exigem monitoramento contínuo.

Outro fator que chamou atenção dos investidores foi que a startup está alinhada às métricas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS), especialmente com o item 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura). "A tecnologia oferecida pela Beegol, além de trazer inovação, permite tornar a infraestrutura de telecom mais resiliente e sustentável", conclui de Paula.

Para o futuro, a Beegol ainda planeja investir no desenvolvimento do software para que ele possa realizar o reparo automático de problemas de internet para que, em breve, ele possa ajudar em distribuição não apenas de rede, mas de energia elétrica e de água.

*é estagiário sob supervisão do editor Bruno Romani

Estadão
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