STF reverte decisão trabalhista e favorece empresa em caso de motoboy de Passo Fundo
Decisão do Supremo cria precedente que pode impactar terceirização e pejotização no Brasil
Em um marco importante para a discussão sobre pejotização e terceirização no Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) reverteu decisões anteriores da Justiça do Trabalho, favorecendo uma empresa de Passo Fundo em um processo movido por um motoboy. O caso, que tramita no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4), reflete o conflito de interpretações entre a Justiça do Trabalho e o STF no que se refere a contratos de prestação de serviços e o reconhecimento de vínculo empregatício.
A disputa judicial começou quando um motoboy, que prestava serviços de entrega para uma empresa do setor de autopeças por meio de uma terceira empresa, entrou com uma ação trabalhista buscando o reconhecimento de vínculo empregatício. Ele alegava que, embora contratado como prestador de serviços, sua relação com a empresa reclamada era, de fato, de um funcionário regular.
Inicialmente, o juiz de primeira instância em Passo Fundo acatou o pedido do motoboy, decisão que foi mantida pelo TRT-4 após a empresa ter recorrido. O tribunal considerou que a relação de trabalho extrapolava um simples contrato de prestação de serviços, caracterizando, portanto, uma relação de emprego.
Decisão do STF altera rumo do processo
No entanto, ao recorrer ao STF por meio de uma Reclamação Constitucional, a empresa conseguiu uma decisão favorável do ministro Gilmar Mendes, relator do caso. Em sua decisão monocrática, Mendes argumentou que o tribunal trabalhista desconsiderou os precedentes do STF que validam a terceirização, mesmo para atividades-fim das empresas. O ministro destacou que a corte já havia afirmado a legalidade dos contratos de prestação de serviços feitos por meio de pessoas jurídicas ou de forma autônoma, o que é conhecido como pejotização.
Com base nisso, o ministro decidiu que o TRT-4 não seguiu a orientação da Suprema Corte, anulando a decisão que reconhecia o vínculo empregatício e revertendo o entendimento de que o motoboy era, de fato, empregado da empresa.
Consequências e implicações da decisão
A defesa da empresa, representada pelos advogados Dr. Pedro Rodrigo de Araujo e Dr. Eduardo Vinicius de Araujo, considera a decisão do STF um passo significativo para a consolidação da terceirização como uma prática legítima e essencial para a flexibilidade e competitividade empresarial. "Essa decisão reforça o direito das empresas de contratarem serviços de forma terceirizada, sem o risco automático de serem caracterizadas como empregadoras diretas. Isso protege a liberdade de organização empresarial e previne impactos financeiros negativos que poderiam inviabilizar operações", comentou Dr. Pedro.
Conflito de visões entre a Justiça do Trabalho e o STF
Este caso destaca a divergência contínua entre a Justiça do Trabalho e o STF sobre a pejotização. Enquanto o STF adota uma visão mais permissiva, aceitando a terceirização como uma prática legítima mesmo nas atividades-fim, a Justiça do Trabalho frequentemente assume uma postura mais restritiva, priorizando a proteção dos direitos trabalhistas e reconhecendo vínculos empregatícios em situações de subordinação. "Essa discrepância de entendimentos evidencia a necessidade de uma maior coerência nas decisões judiciais, especialmente em temas tão sensíveis que afetam diretamente a vida de milhões de trabalhadores e o funcionamento das empresas", ressaltou Dr. Pedro.
Próximos passos e possíveis desdobramentos
Embora o caso ainda esteja pendente de uma decisão final e trânsito em julgado no TRT-4, a intervenção do STF já sinaliza um possível desfecho favorável à empresa. Enquanto isso, o debate sobre os limites da terceirização e a prática de pejotização continua a ser um tema central no direito do trabalho brasileiro, com implicações que se estendem para além dos tribunais, afetando a realidade de empregadores e trabalhadores em todo o país.