Sem premonição, série 'O Colapso' mostra esgotamento dos recursos naturais e ameaça à vida humana
Coletivo francês Les Parasites exibe edição especial com três episódios no canal AMC Brasil
Um jovem atendente em um supermercado passa os produtos do cliente pelo leitor de código de barras. Antes de finalizar a compra e realizar o pagamento, uma queda de energia mergulha o lugar na escuridão. Enquanto clientes e funcionários enfrentam a instabilidade da luz, uma saga com cara de fim de mundo estreia nesta segunda, 8, com a minissérie O Colapso (L'Effondrement) exibida em edição especial na AMC Brasil. Na próxima segunda, 19, vão ao ar os episódios 4, 5 e 6, e no dia 22, os dois últimos episódios.
08/02; 4,5 e 6, no próximo dia 15/02; e 7 e 8 no dia 22
A produção criada pelo coletivo francês de diretores Les Parasites, investiga os limites da sociedade industrial e como as crises energéticas podem transformar o estilo de vida e provocar graves consequências na vida humana. Exibida em três episódios por semana, a série de Guillaume Desjardins, Jeremy Bernard e Bastien Ughetto foi indicada ao Emmy no ano passadona categoria melhor minissérie e abre com o esgotamento da energia elétrica em um supermercado. "O que descrevemos neste episódio são comportamentos fáceis de antecipar", explica o coletivo ao Estadão, por email. "A série não é premonitória, nós apenas tentamos aproveitá-la, o máximo possível, de maneira realista. Se algo der errado e você achar que vai ficar sem comida, o que você vai fazer? Queríamos mostrar o quão dependentes somos de uma fonte vulnerável que pode parar a qualquer momento."
Criado em 2013, o Les Parasites se lançou durante o festival 48 Horas, em que a equipe deve escrever, gravar e editar uma produção audiovisual em dois dias. O resultado foi Retcon, levou os principais prêmios da edição com a história de dois personagens que se unem contra um roteirista. Ao longo dos últimos dez anos Bernard, Desjardins e Ughetto já tocaram uma série de projetos em conjunto ou separadamente. "Foi assim que aprendemos a trabalhar juntos, na pressa! Hoje temos projetos em conjuntos e trabalhos separados. Somos uma equipe para a vida toda, mas de forma livre."
O Colapso é fruto de uma série de indagações do Les Parasites e também um desejo por imaginar as dificuldades que a vida humana poderá enfrentar se continuar esgotando os recursos naturais do planeta, tudo sem a ajuda de zumbis ou visitas de alienígenas. "Fizemos a minissérie porque temos medo de ver o que acontecerá se não fizermos alguma coisa", explica o coletivo. "Queríamos compartilhar esse medo com as pessoas, mostrando-lhes como é frágil a sociedade em que vivemos um 'pós-apocalipse', muito raro em cinemas."
No segundo episódio, O Colapso exibe um conflito que envolve o consumo de combustível e no terceiro, uma saga de um homem rico que precisa embarcar, em 15 minutos, em um voo. Em um mundo tão desigual, o dinheiro ocupa um lugar especial na manutenção das diferenças e ganha foco na produção do Les Parasites. "Se considerarmos apenas as mudanças climáticas, já sabemos que a vida vai ser impossível para bilhões de pessoas no final do século. É impossível para todos nós viver em lugares com ar condicionado. Bem, exceto para algumas pessoas ricas... mas e os outros 99%? Estamos com medo e é por isso que fizemos a série."
Mas o tema distópico não é o único elemento que chama a atenção em O Colapso. Com visual de cinema, a série traz tomadas de plano sequência em cada história. No episódio do supermercado, o público acompanha o jovem atendente nas incursões entre as prateleiras, no estoque e no caixa. Para o coletivo, a escolha visual reforça o realismo na história. "Sem edição, você não tem escolha a não ser deixar a situação totalmente com o personagem. Se isso não acontecer de forma completa, provavelmente não será capaz de manter o espectador com você."