Quem é Ali Khamenei? Líder supremo do Irã que Trump anunciou morte
O presidente Donald Trump confirmou o falecimento da autoridade máxima iraniana durante a 'Operação Fúria Épica' neste sábado (28); governo do Irã ainda não corroborou a informação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na tarde deste sábado (28) que o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morreu em decorrência de ataques aéreos conjuntos realizados pelas forças americanas e de Israel. A ofensiva, denominada "Operação Fúria Épica", atingiu alvos estratégicos em Teerã e outras cidades iranianas. Embora o governo dos EUA e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tenham confirmado o óbito, as autoridades em Teerã afirmam que o líder permanece vivo e foi transferido para um local seguro.
Ali Khamenei nasceu em 1939 na cidade de Mashhad. Ele ocupou o cargo de líder supremo por quase quatro décadas, consolidando-se como a figura central da República Islâmica após a morte de Ruhollah Khomeini, em 1989. Sua ascensão foi considerada inesperada por observadores na época, uma vez que ele não possuía inicialmente o título de aiatolá e sua qualificação religiosa era questionada por setores do clero.
Antes de assumir a liderança máxima, Khamenei atuou como vice-ministro da Defesa e foi eleito presidente do Irã em 1981, cargo que ocupou durante a guerra contra o Iraque. No mesmo ano, sobreviveu a um atentado a bomba que resultou na paralisia permanente de sua mão direita.
Como líder supremo, Khamenei acumulou funções de autoridade política e religiosa. Em uma estrutura teocrática, ele detinha a palavra final sobre decisões estratégicas do Estado, incluindo a política externa, a segurança nacional e o comando das Forças Armadas. Suas diretrizes eram caracterizadas pela oposição aos Estados Unidos e ao Estado de Israel, além do suporte financeiro e militar a grupos como o Hezbollah e o Hamas.
Internamente, o período de liderança de Khamenei foi marcado pela manutenção rigorosa dos valores da Revolução de 1979 e pela contenção de movimentos dissidentes. Episódios recentes de contestação popular, como os protestos de 2019 e as manifestações de 2022 após a morte de Mahsa Amini, foram respondidos com medidas de segurança e restrições à internet e à imprensa.
A ofensiva deste sábado ocorreu em um cenário de agravamento da crise econômica no Irã, afetada por sanções internacionais e inflação elevada. O fechamento do Estreito de Ormuz foi anunciado logo após as primeiras explosões. Segundo balanço do Crescente Vermelho, os bombardeios deixaram ao menos 201 mortos. Enquanto Washington e Tel Aviv celebram o resultado da operação, o cenário em Teerã permanece de incerteza quanto à sucessão e à confirmação oficial da integridade física de seu principal dirigente.