Quase 2 milhões de pessoas viraram milionárias em 2025
Quatro países concentram quase dois terços deste grupo. Tecnologias como a inteligência artificial impulsionam acúmulo de riqueza.O número de milionários em dólares no mundo atingiu um novo recorde em 2025. Ao fim do ano, 25,3 milhões de pessoas possuíam patrimônio investível de pelo menos 1 milhão de dólares, segundo a consultoria Capgemini.
O aumento foi de quase 8%, ou quase 2 milhões de pessoas, em relação a 2024. Ao mesmo tempo, a riqueza total desses indivíduos ricos chegou a um pico histórico de 98,3 trilhões de dólares (R$ 499,47 trilhões). Isso é mais do que o PIB das 20 maiores economias do mundo somadas em 2024.
De acordo com relatório divulgado nesta quinta-feira (04/06), trata-se do maior crescimento anual do patrimônio desde 2018. Em comparação com o ano anterior, a riqueza dos mais ricos aumentou cerca de 9% globalmente em 2025.
Como principais motores desse crescimento, a Capgemini aponta o desempenho robusto dos mercados de ações, impulsionado por uma euforia no ramo da tecnologia, e a desaceleração da inflação.
"Os mercados acionários, impulsionados por altas relacionadas à inteligência artificial, foram o principal motor da formação de riqueza de indivíduos ricos em cinco das seis grandes regiões geográficas analisadas", afirma o texto.
Em quatro países, dois a cada três milionários
Juntos, os quatro maiores países em número de milionários — Estados Unidos, Japão, Alemanha e China, nesta ordem — concentram quase dois terços de todos os milionários do planeta.
Os Estados Unidos seguem, de longe, como a maior nação de milionários do mundo. Em apenas um ano, o país ganhou 736 mil novos milionários, elevando o total para 8,7 milhões. Já o Japão registrou aumento de 436 mil milionários.
Também na Alemanha houve crescimento significativo no número de indivíduos ricos. Segundo os cálculos da Capgemini, cerca de 1,78 milhão de pessoas em 2025 tinham patrimônio investível mínimo de 1 milhão de dólares, 11% em relação ao ano anterior.
Semicondutores impulsionam Japão e China
Entre as regiões do mundo, a Ásia-Pacífico (que abrange todos os países do continente asiático e da Oceania banhados pelo Oceano Pacífico) apresentou o desenvolvimento mais dinâmico. Lá, o patrimônio dos ricos cresceu 10%, enquanto o número de milionários aumentou 9%.
A elevada demanda por semicondutores e o bom desempenho dos mercados deações impulsionaram ganhos expressivos, sobretudo no Japão e na China. Índia e Austrália também registraram crescimento da população milionária.
Na Europa, após um ano mais fraco, o crescimento voltou. O número de indivíduos ricos aumentou 6%. Além da Alemanha, Luxemburgo se destacou como um dos mercados com maior crescimento da região, com alta de 13%. França e Reino Unido avançaram de forma mais moderada.
Na América Latina, incertezas comerciais pesaram sobre a evolução do patrimônio. No Oriente Médio, o número de milionários chegou a recuar levemente, afetado pela queda dos preços do petróleo, tensões geopolíticas e perspectivas econômicas mais fracas.
Super-ricos concentram patrimônio
O crescimento mais acelerado foi novamente observado entre os super-ricos. Pessoas com patrimônio investível de pelo menos 30 milhões de dólares registraram a maior expansão global.
O número desse grupo aumentou 9,4%, alcançando cerca de 250 mil indivíduos. Seu patrimônio cresceu quase 10%, em ritmo superior ao observado entre os demais milionários.
Apesar do aumento no número de pessoas ricas, a concentração de riqueza permanece elevada. Segundo a Capgemini, o 1% mais rico entre os milionários controla 34,8% de todo o patrimônio do grupo.
O relatório da Capgemini considera ações, títulos, investimentos alternativos como participações em empresas privadas, dinheiro em caixa e imóveis que não sejam de uso próprio. Coleções de arte e bens de consumo, como automóveis e joias, não entram no cálculo.
O estudo se baseia em diversas pesquisas, com a participação de 6.510 indivíduos ricos em 27 mercados, 144 executivos de gestoras de patrimônio e 1.317 assessores de clientes.
ht/ra (dpa, AFP, ots)
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