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Misoginia, sofrimento e luto: entenda por que Monique Medeiros recebeu perdão judicial pela morte do filho Henry

Decisão do Segundo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro desclassifica crime da mãe de Henry Borel para homicídio culposo, enquanto Dr. Jairinho recebe condenação superior a 43 anos de prisão

4 jun 2026 - 13h21
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O julgamento do caso Henry Borel trouxe uma reviravolta marcante no Segundo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. O conselho de sentença tomou uma decisão que mudou os rumos jurídicos para a mãe da criança. Os sete jurados decidiram desclassificar o crime imputado a Monique Medeiros de homicídio doloso por omissão para homicídio culposo, modalidade em que não existe a intenção de matar. Diante desse veredito popular, a juíza Elizabeth Machado Louro concedeu o perdão judicial para a professora, extinguindo a sua punibilidade em relação à morte do filho. O Ministério Público e a defesa do outro envolvido já manifestaram que pretendem recorrer do resultado.

Monique Medeiros foi perdoada pela morte do filho Henry Borel
Monique Medeiros foi perdoada pela morte do filho Henry Borel
Foto: Brunno Dantas/TJRJ / Perfil Brasil

Sentença de Jairo Souza ultrapassa 43 anos de reclusão em regime fechado

O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, recebeu uma condenação severa pelos crimes cometidos contra o enteado. A magistrada fixou a pena total em 43 anos, nove meses e 20 dias de prisão. Na leitura da dosimetria, a juíza destacou a repercussão provocada pela violência desproporcional, além da conduta desmensurada e covardia contra uma criança praticada por Jairo contra Henry. A autoridade judicial reforçou o perfil do acusado durante a leitura da sentença. "O ora condenado demonstra personalidade insidiosa, perfeitamente apta a levar ao engano e à dissimulação (...) pessoa extremamente gentil e prestativa, a fazer supor que jamais seria capaz de tamanha truculência, o que diz sua exacerbada periculosidade", afirmou. O cálculo detalhado da pena aplicada ao ex-parlamentar estipulou 35 anos, seis meses e 20 dias pelo homicídio, seis anos e três meses pelo crime de tortura e dois anos por coação.

Magistrada aponta perseguição implacável e misoginia contra professora

Em relação aos crimes de tortura, o tribunal absolveu ambos os réus de duas acusações por falta de materialidade. Contudo, os jurados responsabilizaram a mãe por omissão em um episódio específico ocorrido em 12 de fevereiro de 2021, quando a babá Thayná Ferreira reportou agressões por mensagens enquanto a patroa estava em um shopping. Por essa omissão, a pena fixada foi de um ano e quatro meses de reclusão, período que já foi totalmente cumprido na prisão. Ao fundamentar o perdão judicial, Elizabeth Machado Louro criticou a reação social ao longo dos cinco anos de processo, classificando-a como um massacre nas redes sociais decorrente de uma cultura patriarcal e de preconceito de gênero.

"Não posso me furtar a expressar meu pasmo diante da reação desproporcional e desmesurada da sociedade em geral, claramente discriminatória de gênero", criticou a juíza, apontando que o papel reservado à mulher "não só exige que ela seja mãe, mas a mãe perfeita". A julgadora mencionou que o pai do menino, Leniel Borel, que entregou a criança na data do óbito para cumprir o acordo de guarda compartilhada, não foi processado. "Fosse o pai, e não a mãe, na mesma situação, nem sequer teria sido ele processado", completou.

A juíza concluiu ressaltando o sofrimento da ré face aos ataques virtuais que superaram aqueles direcionados ao executor. "Desde a investigação, Monique não mereceu o benefício da dúvida e, ao longo do processo, embora fosse apontada como mãe zelosa, e não ter sido acusada de infligir diretamente agressões físicas a seu filho, a revolta evoluiu rapidamente para franco massacre nas redes sociais, com ataques muito mais virulentos do que aqueles dirigidos ao autor direto", afirmou Elizabeth. Para a magistrada, é "incomensurável o sofrimento de quem, além de perder seu único filho, para o que, de resto, não contribuiu intencionalmente, viu-se algo durante cinco longos anos de uma perseguição implacável contra a sua honra e sua autoestima como mãe, para não falar del completo desprezo pela sua dor". Os defensores Hugo Novais e Florence Rosa celebraram o veredito, declarando que a decisão estabelece o respeito ao luto individual e combate os estereótipos que tentaram descredibilizar a forma de maternar da professora.

Perfil Brasil
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