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Otan derruba drone ucraniano desviado da Rússia na Estônia

19 mai 2026 - 15h55
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Incidente ocorre em meio a uma série de desvios de drones rumo à Rússia. Ucrânia culpa interferência eletrônica russa, pede desculpas e caso acirra tensões políticas nos países bálticos.Um caça da Otan abateu um drone ucraniano no sul da Estônia nesta terça-feira (19/05), segundo confirmou a própria aliança militar.

O episódio é o mais recente de uma série de incidentes semelhantes nos últimos meses, em que drones ucranianos destinados a alvos na Rússia cruzaram ou caíram em território da aliança, que compreende 32 países, sendo 30 na Europa, além de Canadá e Estados Unidos.

A Ucrânia culpou a Rússia por direcionar o drone para o espaço aéreo da Estônia e pediu desculpas pelo "incidente não intencional", sem detalhar o que ocorreu.

O que aconteceu?

Estônia e Letônia emitiram alertas por volta do meio-dia, horário local, relatando a presença de um drone em seus territórios. Não ficou imediatamente claro se se tratava da mesma aeronave ou de objetos distintos.

Segundo as Forças Armadas da Estônia, o drone entrou em seu espaço aéreo pela região sudeste do país, vindo da Rússia.

Os militares envolvidos na operação disseram que já vinham monitorando o drone antes de sua entrada no espaço aéreo do país e que a decisão de abatê-lo foi tomada para "minimizar o impacto sobre a população civil e a infraestrutura".

Diante da trajetória do drone, "decidimos que precisávamos derrubá-lo", disse o ministro da Defesa da Estônia, Hanno Pevkur, acrescentando que o equipamento "muito provavelmente [...] tinha como alvo posições russas".

O drone foi abatido por um caça F-16 romeno, parte da missão da Otan de policiamento aéreo do Báltico, que realizava um voo de treinamento.

"O incidente ocorreu sob condições de intensa guerra eletrônica, incluindo falsificação de GPS e interferência (jamming), conduzidas pela Rússia", afirmou o Exército estoniano. Episódios anteriores também foram atribuídos a interferências eletrônicas russas.

A Otan confirmou posteriormente a ação, informando que o drone foi derrubado sobre o espaço aéreo estoniano. A aliança declarou ainda que uma investigação está em andamento e que está "pronta e apta a reagir a quaisquer ameaças aéreas".

Ucrânia amplia uso de drones

A Ucrânia tem intensificado gradualmente seus ataques com drones contra a Rússia, mirando principalmente instalações energéticas e fábricas de armamentos no interior do território inimigo, à medida que desenvolve sua tecnologia e amplia a produção.

Há casos também de drones russos lançados contra a Ucrânia que, aparentemente, foram desviados para países vizinhos, membros da Otan, como Polônia e Romênia.

No domingo (17/05), autoridades russas disseram que um dos maiores ataques ucranianos com drones matou ao menos quatro pessoas — três delas nos arredores de Moscou — e deixou cerca de uma dúzia de feridos.

Os ataques com drones de longo alcance tornaram-se uma marca da guerra, iniciada há mais de quatro anos, quando a Rússia iniciou uma invasão em larga escala contra a Ucrânia.

A rota de voo dessas aeronaves a partir da Ucrânia até alvos russos passa próxima às fronteiras de países-membros da Otan na região, como Lituânia, Letônia, Estônia e Finlândia — e sistemas de defesa antidrones podem interferir em sua navegação.

Impactos políticos

Os países bálticos, em geral, têm culpado publicamente a Rússia, afirmando que a Ucrânia tem razões legítimas para atacar instalações em território russo no contexto de sua guerra defensiva.

"Esses incidentes são resultado direto da guerra e das provocações da Rússia. A Estônia está reforçando a cooperação com a Ucrânia para melhorar nossa defesa aérea e capacidades antidrones", declarou o chanceler estoniano, Margus Tsahkna, em uma publicação no X.

Ainda assim, as incursões começaram a ter impacto político.

Na Letônia, em particular, o tema ganhou força neste mês, quando o governo de coalizão entrou em colapso após disputas internas sobre como lidar com drones desviados que aterrissam em seu território.

A primeira-ministra Evika Siliņa demitiu seu ministro da Defesa e, pouco depois, acabou renunciando após perder um aliado na coalizão e, com isso, a maioria parlamentar.

Tanto Letônia quanto Estônia reiteraram que não autorizam o uso de seus territórios ou espaço aéreo para ataques da Ucrânia contra a Rússia — posição também enfatizada pelo Ministério das Relações Exteriores ucraniano.

O porta-voz da pasta, Heorhii Tykhyi, afirmou que a Rússia "continua a desviar drones ucranianos para a região do Báltico", em coordenação com uma "intensificação da propaganda", como parte de uma estratégia deliberada.

"Reiteramos que — ao contrário do que afirma a propaganda russa — nem Estônia, Letônia, Lituânia ou Finlândia jamais permitiram o uso de seu espaço aéreo para ataques contra a Rússia. Além disso, a Ucrânia nunca solicitou tal uso", disse Tykhyi.

Moscou, por sua vez, reiterou uma ameaça já feita anteriormente: reagirá caso drones ucranianos sejam lançados a partir de países bálticos ou se esses países colaborarem com ataques contra alvos russos.

Os combates ao longo da linha de frente de cerca de 1.250 quilômetros no leste e sul da Ucrânia continuam. Nessa região, as forças russas, em maior número, avançam lentamente. Não há sinais de que um acordo de paz esteja próximo, apesar dos esforços diplomáticos dos Estados Unidos.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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