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Alfabetizados aos 2 anos, celular só aos 15, foco em olimpíadas: como gêmeos foram aprovados em universidades nos EUA

Com 18 anos, os irmãos Camila e Mateus Maeda Shida conquistaram vagas no MIT e na Cornell University; conheça a trajetória dos brasileiros

15 mai 2026 - 05h00
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Os irmãos gêmeos Camila e Mateus Maeda Shida, de 18 anos, foram aprovados no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e na Cornell University
Os irmãos gêmeos Camila e Mateus Maeda Shida, de 18 anos, foram aprovados no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e na Cornell University
Foto: Arquivo pessoal

Direto do Ensino Médio para duas das melhores universidades dos Estados Unidos: essa é a mais nova conquista dos irmãos gêmeos Camila e Mateus Maeda Shida, de 18 anos, que foram aprovados no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e na Cornell University, respectivamente, onde irão cursar Engenharia.

Filhos de mãe dentista e pai engenheiro agrônomo, os irmãos nasceram em Bastos, cidade no interior de São Paulo com cerca de 21 mil habitantes. Eles afirmam que ter uma "rede de apoio muito forte" -- família, professores, amigos, escolas -- foi um dos pilares essenciais para conquistarem as vagas.

"Desde quando a gente era bebê, minha família sempre foi muito incentivadora da educação como forma de conseguir mudar a vida. Sempre acreditaram muito", lembra Camila ao Terra. "A rede de apoio foi fundamental, fez o nosso sonho de estudar fora se tornar possibilidade", acrescenta Mateus. 

Vida cercada por livros

A dupla cita que, aos 2, 3 anos já foi alfabetizada em português e inglês. Camila conta que, com essa idade, ela foi diagnosticada com leucemia -- tipo de câncer que afeta as células sanguíneas na medula óssea e no sistema linfático. Longe de casa e em meio ao tratamento, foi quando a sua mãe decidiu começar a introduzir os livros de alfabetização na rotina e deu certo. Depois, foi a vez de Mateus aprender.

"Tudo o que um fazia, o outro acabava fazendo também", brinca a jovem. "A gente é muito próximo. Tudo o que um faz, o outro quer fazer melhor, no sentido de uma competição amigável", completa Mateus. 

Desde o berço, eles também viviam cercados por livros em casa. "Minha mãe sempre gostou muito de ler e a gente tem muitos livros em casa. Meus pais colocavam os livros em volta da cama quando a gente era bebê e lia para gente. Você começa a criar essa cultura. A gente ainda tinha tapetes com letras e números, então a gente começou a andar entre eles", recorda o estudante. "Minha mãe lia um capítulo ou dois por dia e eu ficava querendo saber mais o que ia acontecer, sempre nessa curiosidade mesmo de saber outras coisas, de aprender mais e que foi indo para outras áreas."

Desde o berço, os irmãos gêmeos cresceram cercados por livros em casa
Desde o berço, os irmãos gêmeos cresceram cercados por livros em casa
Foto: Arquivo pessoal

Ambos afirmam que essa paixão por livros e pelo aprendizado permaneceu ao passar dos anos. Eles já chegaram, por exemplo, a ler cerca de 50 livros por ano, cada um. "Às vezes, minha mãe acordava à noite e me via no banheiro com a luz acesa, lendo", revela Mateus.

A dupla ainda conta que demorou para ter celular. Camila ganhou o primeiro aparelho com 13 anos, enquanto Mateus foi aos 15 anos. "Depois que a gente já tinha celular, a gente sempre teve uma restrição de tempo de tela. Nunca passamos horas em uma rede social. Agora temos mais liberdade, mas não era algo que a gente precisava de mais tempo", diz Camila.

Desde cedo, os dois também praticaram várias modalidades de esportes e foram introduzidos ao universo do soroban, que é um ábaco japonês, uma ferramenta manual para realizar cálculos matemáticos e que estimula o raciocínio lógico, a concentração e a agilidade mental.

Mergulho em olimpíadas do conhecimento

Os gêmeos estudaram em escolas particulares próximas à cidade em que moravam no interior. No ensino médio, eles se mudaram para a capital paulista e estudaram no Colégio Etapa, onde eram bolsistas. Durante toda a trajetória escolar, a dupla mergulhou no mundo das olimpíadas do conhecimento nas mais diversas áreas e considera isso outro diferencial no currículo.

Eles lembram que começaram a participar das competições desde o terceiro ano do fundamental, incentivados pela mãe, e se encantaram pela cultura. "Minha mãe ficava sabendo dessas oportunidades e falava: 'vamos nos inscrever'. Isso foi um abridor de portas em relação a um mundo que a gente não conhecia, com possibilidades", afirma Camila. 

A dupla mergulhou no mundo das olimpíadas do conhecimento nas mais diversas áreas
A dupla mergulhou no mundo das olimpíadas do conhecimento nas mais diversas áreas
Foto: Arquivo pessoal

Segundo os gêmeos, eles participaram de mais de 20 olimpíadas. "Elas dão um diferencial. Primeiro porque te ranqueia entre os alunos nacionais e para as universidades importa. Nas aplicações, a gente tem que colocar nossas premiações, como era o processo para chegar na olimpíada. Segundo porque tem uma comunidade que inspira", cita Mateus. "As olimpíadas são um  mundo muito democrático. Se você quiser qualquer material, você vai encontrar, se você estiver buscando por conhecimento, você vai encontrar. As escolas são muito incentivadoras, investem muito nos alunos. Você aprende a sonhar", acrescenta Camila.

Além dos estudos, no segundo ano do ensino médio, os irmãos gêmeos criaram um curso online para jovens de uma escola pública do interior que buscam preparação para a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).

Graduação nos EUA

Animados com as aprovações nas universidades norte-americanas, eles embarcam em agosto para os Estados Unidos. Mateus vai cursar Engenharia Elétrica e Computação na Cornell, enquanto Camila vai iniciar o curso no MIT e, no segundo ano, vai decidir se pretende focar somente em Engenharia ou mesclar com outra área.

Eles dizem que querem aprender muito e aproveitar ao máximo todas as oportunidades que as universidades podem oferecer, e depois pretendem voltar para o Brasil para "retribuir ao País". "Eu acho que a cultura japonesa fez muito por mim e pela Camila, que é essa questão de você querer doar para a sua comunidade. Você devolver para sua comunidade tudo que ela te trouxe, porque você é o resultado da sua comunidade, o resultado das vivências", destaca Mateus.

Fonte: Portal Terra
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