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Mortes por Ebola no leste do Congo aumentam para 131; OMS expressa profunda preocupação

19 mai 2026 - 15h55
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Vinte e seis outras mortes suspeitas de Ebola foram registradas em ‌24 horas no leste da República Democrática do Congo, informaram autoridades nesta terça-feira, e o chefe da Organização Mundial da Saúde expressou profunda preocupação com a disseminação do surto.

As novas mortes elevaram para 131 o número de fatalidades associadas ao surto no leste da RDC. Foram registrados 543 casos suspeitos e 33 casos confirmados na RDC, de acordo com as autoridades de saúde congolesas, e dois casos confirmados na vizinha Uganda.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou o surto da rara cepa Bundibugyo do vírus como uma emergência de saúde pública de importância ⁠internacional no sábado, a primeira vez que um chefe da OMS faz isso antes de convocar um comitê de emergência.

O surto alarmou os especialistas ‌porque foi capaz de se espalhar por semanas sem ser detectado em uma área densamente povoada e devastada pela violência armada generalizada. Um surto de 2018-2020 no leste da RDC foi o segundo mais mortal já registrado, matando quase 2.300 pessoas.

Butembo, uma cidade com centenas de ‌milhares de pessoas, registrou seus dois primeiros casos confirmados na segunda-feira, disse Jean-Jacques Muyembe, diretor ‌do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica do Congo (INRB), à Reuters.

As autoridades de Uganda começaram a restringir o movimento através da passagem ⁠de fronteira Ishasha-Kyeshero, disse à Reuters Ambrose Amanyire Mwesigye, um funcionário do governo local, embora ele tenha dito que a fronteira não foi formalmente fechada.

Mais ao sul, os congoleses que tentavam atravessar para Ruanda a partir das cidades de Goma e Bukavu estavam sendo parados na fronteira, disseram repórteres da Reuters. As autoridades de Ruanda não puderam ser contatadas imediatamente para comentar o assunto.

No sábado, a OMS pediu aos países que não fechassem suas fronteiras, dizendo que isso poderia levar a travessias informais não monitoradas.

NORTE-AMERICANOS SERÃO ENVIADOS PARA A ALEMANHA

O Ebola, que se espalha ‌por meio do contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, tem uma taxa média de mortalidade de cerca de 50%, de acordo ‌com a OMS.

"Estou profundamente preocupado com a escala ⁠e a velocidade da epidemia", disse ⁠Tedros aos membros da Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, nesta terça-feira.

A representante da OMS na RDC, Anne Ancia, disse que a identificação de casos foi ⁠retardada pela capacidade limitada de diagnóstico da cepa Bundibugyo, com apenas seis testes possíveis ‌por hora.

Especialistas afirmam que os atrasos na detecção ‌do surto mostram lacunas na preparação após os cortes dos EUA e de outros grandes doadores de fundos para a saúde global.

"Parece que desperdiçamos uma pandemia porque todos voltaram a fazer o que estavam fazendo", disse o ministro da Saúde de Serra Leoa, Austin Demby, em Genebra.

Um norte-americano testou positivo para Ebola, informou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA na segunda-feira.

A ⁠pessoa, identificada como dr. Peter Stafford por sua organização missionária cristã, e seis outros norte-americanos que foram expostos ao vírus estavam sendo transferidos para a Alemanha para cuidados e monitoramento, informou o CDC.

Os EUA suspenderam a entrada de viajantes que estiveram na RDC, em Uganda ou no Sudão do Sul nos últimos 21 dias, com algumas exceções, por 30 dias, e pediram aos norte-americanos que não viajassem para esses países por qualquer motivo.

Em uma declaração na terça-feira, o CDC da África, a principal ‌agência de saúde do continente, disse que tais restrições podem prejudicar as economias, desencorajar a transparência e complicar as operações humanitárias.

ESPECIALISTAS TENTAM DESENVOLVER TRATAMENTOS E VACINAS

Diferentemente da cepa mais comum do Zaire, não há nenhuma terapêutica ou vacina específica aprovada para o vírus da cepa ⁠Bundibugyo.

Os EUA, que disseram ter mobilizado US$13 milhões iniciais para responder ao surto, estão trabalhando para desenvolver uma terapia de anticorpos monoclonais como um tratamento em potencial, informou o CDC.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse aos repórteres em Washington que estava preocupado com a situação do Ebola e que os fundos dos EUA ajudariam a abrir 50 clínicas para tratar os casos de Ebola.

"É um pouco difícil chegar até ela porque fica em uma área rural... Mas teremos mais a anunciar sobre isso. Vamos nos empenhar bastante nisso", disse ele, sem fornecer detalhes.

Um painel de especialistas liderado pela OMS estava se reunindo nesta terça-feira para discutir opções de vacinas que poderiam ajudar a combater o surto. Ancia, da OMS, disse que a Ervebo, da MSD & Co, era uma das candidatas, mas que levaria dois meses para estar disponível.

O presidente norte-americano, Donald Trump, retirou formalmente os EUA da OMS em janeiro, depois de criticar a forma como a organização lidou com a pandemia da Covid-19.

Ancia disse que a OMS estava trabalhando "muito bem" com o governo dos EUA no surto de Ebola, mas as reduções no financiamento da saúde tiveram um "impacto tremendo" na capacidade da organização de combater a doença.

(Emma Farge reportou de Genebra; reportagens adicionais de Jennifer Rigby em Londres, Olivia Le Poidevin em Genebra e Elias Biryabarema em Kampala, Michael Martina em Washington)

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