Órgão de vigilância mira AfD na Baixa Saxônia por extremismo
Agência de inteligência alemã aumentou cerco ao diretório estadual do partido de ultradireita alegando "desprezo ao Estado de Direito". Sigla já é investigada por suspeita de extremismo.O Departamento de Proteção da Constituição da Alemanha, órgão estatal de inteligência, autorizou medidas mais rigorosas de monitoramento contra o diretório estadual do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) na Baixa Saxônia, suspeita de possíveis vínculos com grupos extremistas.
Trata-se do primeiro diretório da AfD nos estados da antiga Alemanha Ocidental a receber tal classificação.
Embora o diretório não seja considerado comprovadamente como "extremista de direita", a decisão desta terça-feira (17/02) dá a investigadores maior autonomia para apurar condutas que ameacem a ordem democrática. Isso significa, por exemplo, que eles poderão usar mais facilmente agentes infiltrados e interceptar a comunicação de membros do partido.
A AfD anunciou que vai recorrer à Justiça.
A nova classificação é consequência de uma longa análise pelo órgão de inteligência na Baixa Saxônia. No Estado, a AfD já havia sido considerada "suspeita" em maio de 2022, classificação que foi prorrogada em 2024 e, agora, mantida e ampliada.
Segundo o Ministério Estadual do Interior, a ideologia de extrema direita é "consenso" dentro da AfD, tanto em nível federal quanto estadual. O diretório na Baixa Saxônia até teria uma postura mais moderada em alguns casos, mas sem se distanciar das forças extremistas.
A ministra estadual do Interior, a social-democrata Daniela Behrens, afirmou que o extremismo de direita é o maior perigo para a sociedade e que a AfD "despreza o nosso Estado e as nossas instituições democráticas".
"Difamação do Estado democrático de Direito"
As autoridades alemãs afirmam que o diretório estadual da AfD defende uma concepção de povo baseada em etnia e ancestralidade, e que essa visão é "elemento central de uma ideologia nacionalista-populista".
O diretório também foi acusado de promover "o desprezo e a difamação do Estado democrático de direito", assim como a "desvalorização generalizada de grupos de pessoas", por meio da hostilidade contra migrantes, estrangeiros e pessoas LGBTQ+, o que é incompatível com a Constituição.
Organização extremista de direita
Na Alemanha, representações regionais da AfD foram consideradas "comprovadamente" como organizações de extrema direita nos estados da Saxônia-Anhalt, Saxônia, Turíngia e Brandemburgo. Outros diretórios, em Bremen, Baden-Württemberg, Hessen e Baviera, são atualmente monitorados pelas autoridades.
Em maio do ano passado, a AfD a nível nacional chegou a ser classificada como organização de extrema direita, mas o partido recorreu da decisão e conseguiu suspender a medida até que o mérito da ação seja julgado. Até lá, o partido continua sendo considerado um caso "suspeito".
A classificação faz diferença porque poderia, eventualmente, impulsionar uma ação para proibir o partido. A medida, porém, é impopular entre a maioria da classe política alemã. Tal decisão caberia ao Tribunal Constitucional Federal.
A AfD conseguiu eleger a segunda maior bancada no Parlamento nas eleições federais de 2025, com quase 24% das cadeiras - atrás apenas do bloco conservador CDU/CSU, do chanceler federal Friedrich Merz (33%); e à frente dos social-democratas (19%).
Nas últimas pesquisas de opinião, a AfD aparece atualmente empatada nas sondagens com a CDU/CSU, com cerca de 25% das intenções de voto.
fcl/ra (dpa, afp, ots)