Operação prende ex-estagiário do MP de SP que usava sistema para encontrar e extorquir membros do PCC
Operação descobre plano para assassinar promotor com armamento de guerra e envolvimento de agentes públicos
Uma operação recente revelou um esquema sofisticado de infiltração institucional no Ministério Público de São Paulo. O ex-estagiário Gabriel Lira de Jesus foi preso sob a suspeita de utilizar o cargo para se aproximar, mapear e extorquir integrantes de uma das maiores facções criminosas do país. De acordo com as investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, o jovem teria ingressado na Promotoria de Justiça Criminal de Campinas com o objetivo claro de obter vantagens ilícitas. Durante o período em que atuou na instituição, ele utilizou bancos de dados internos e sistemas de pesquisa sigilosos para identificar criminosos que possuíam alto poder econômico.
Investigação aponta infiltração planejada em órgãos públicos
A apuração detalhou que Gabriel Lira de Jesus se formou no ano passado após iniciar a graduação em direito em 2020 na faculdade Anhanguera. Em sua atuação criminosa, ele não agia sozinho e contava com o apoio logístico de outros agentes públicos, incluindo um policial penal e um ex-policial civil que já havia sido expulso da corporação pelo crime de extorsão mediante sequestro. Juntos, eles ofereciam uma falsa proteção em investigações em andamento em troca de dinheiro dos próprios faccionados. As evidências apontam que as abordagens e extorsões eram operacionalizadas utilizando a rede de internet de um escritório de advocacia da região.
Plano contra promotor envolvia armamento pesado e carro blindado
O desdobramento das investigações também trouxe à tona um plano para assassinar o promotor Amauri Silveira Filho, que lidera o combate às facções na região de Campinas há mais de dez anos. Três mandados de prisão temporária e dez ordens de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades de Campinas e Cardoso. Os alvos principais incluíam o ex-estagiário e o investigador da Polícia Civil, Maurício Aparecido de Oliveira, ligados ao esquema de repasse de informações sensíveis. A ameaça contra o promotor surgiu após ele conduzir buscas na casa de Maurício Silveira Zambaldi, dono da concessionária Dragão Motos, suspeito de lavar dinheiro para o grupo criminoso.
Denúncia anônima revelou detalhes do atentado planejado
O plano detalhado para o atentado foi descoberto graças a uma denúncia anônima enviada às autoridades. O informante relatou que um veículo blindado estava sendo preparado em Goiás, onde passaria por modificações estruturais para retirar os bancos e acoplar uma metralhadora de calibre pesado. O financiamento do crime seria realizado por meio da venda de um carro luxuoso da marca Porsche, avaliado em quase R$ 1000000, e contava com o braço operacional de José Ricardo Ramos, dono da JR Ramos Transportes. Diante dos fatos, o juiz Caio Ventosa Chaves, da 4.ª Vara Criminal de Campinas, decretou as prisões e classificou a conspiração como um plano macabro.
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