Novo golpe nos donos de painéis solares no Brasil gera medo e revolta após mudança nas tarifas
Medida Provisória aprovada em setembro de 2025 pode derrubar até 80% dos retornos para donos de painéis solares, ameaçando o setor no Brasil.
No dia 17 de setembro de 2025, o Congresso Nacional aprovou a Medida Provisória (MP) 1.300, alterando pontos cruciais das leis do setor elétrico brasileiro e lançando dúvidas sobre o futuro da energia solar no país. A medida, defendida como modernização, pode tirar do bolso dos donos de painéis solares uma fatia importante dos retornos prometidos até então e acendeu um alerta vermelho em todo o setor.
Como a MP 1.300 muda o jogo para energia solar
A MP 1.300/2025 transferiu para a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) a responsabilidade de definir novas modalidades tarifárias. Assuntos sensíveis que estavam na proposta original foram deslocados para outra Medida Provisória, a 1.304, mas permaneceram dúvidas sobre o futuro da remuneração da energia solar gerada e distribuída no sistema.
Insegurança jurídica e imprevisibilidade
Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), as mudanças trazidas pela MP criam uma imprevisibilidade preocupante. Custos e retorno dos investimentos em energia solar ficaram incertos, dificultando novos aportes em projetos e minando a confiança dos investidores.
O novo cálculo: quanto vale a energia injetada?
Antes da mudança, cada real injetado na rede por um sistema de energia solar era compensado integralmente, tornando o investimento altamente atraente para famílias e pequenos produtores. Agora, com a possibilidade de novas tarifas multipartes, apenas R$ 0,36 por real produzido seriam realmente compensados: uma perda de R$ 0,64 em cada R$ 1,00 gerado.
- Retorno do investimento pode desabar até 80%;
- Compensação financeira cai drasticamente;
- Pequenos produtores e famílias devem ser os mais impactados.
Riscos e consequências para o setor de energia solar
Especialistas apontam que a queda drástica na rentabilidade tende a paralisar investimentos, gerar demissões e dificultar ainda mais o acesso de pequenos produtores à chamada transição energética sustentável. A incerteza também pode afastar novos projetos e afetar a indústria nacional de equipamentos.
O poder da ANEEL e o futuro da energia renovável
O lado positivo, segundo entidades do setor, é que a ANEEL continua sendo o órgão regulador das mudanças, o que ainda mantém viva a discussão para garantir estabilidade e previsibilidade nos investimentos renováveis.
Debate segue aberto: estabilidade ou risco?
- ANEEL tem autoridade plena para criar tarifas mais complexas;
- Definição final pode demorar, prolongando o cenário de insegurança;
- Discussão sobre incentivo à energia limpa ganha novos contornos.
Como o consumidor é afetado?
Para a maioria dos consumidores que apostaram em energia solar, o futuro imediato é de incerteza. Quem planejava aderir ao sistema pode repensar o investimento, diante do possível período longo de retorno e da insegurança legislativa que se instalou no setor.
O que dizem especialistas e entidades do setor?
A Absolar alerta que a medida pode excluir do mercado os que mais dependem das vantagens econômicas da energia limpa: micro e pequenos produtores. Além disso, existe o temor real de freio no crescimento do setor, perda de empregos e retrocesso no avanço da matriz energética brasileira.
Perguntas que ficam para o setor
- Como incentivar a energia renovável diante da imprevisibilidade?
- Qual será o papel do consumidor no novo cenário?
- O governo irá reavaliar as regras caso haja queda drástica de investimentos?
Incerteza reina e setor pede clareza
A aprovação da MP 1.300 de 2025 gerou uma nova era de grandes incertezas para a energia solar no Brasil. Investidores, produtores e consumidores aguardam a definição da ANEEL sobre as novas tarifas, conscientes do impacto devastador que mudanças bruscas podem causar. A expectativa é que as decisões regulatórias equilibrem a necessidade de modernização do setor elétrico com a preservação dos incentivos que moveram o crescimento da energia solar no país. Nos próximos meses, o desenrolar desse debate será decisivo para o futuro da geração distribuída e do avanço da matriz energética sustentável brasileira.