Vacinas são questão de segurança nacional, diz autoridade global de saúde
As vacinas são uma questão de segurança nacional, afirmou nesta semana uma importante figura mundial da área da saúde, alertando que o aumento do sentimento antivacinas em todo o mundo pode comprometer esforços para combater futuras pandemias.
Richard Hatchett, que lidera a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) — parceria entre governos e instituições filantrópicas e uma das primeiras a financiar vacinas contra a Covid-19 em janeiro de 2020 — disse que epidemias e pandemias continuam sendo uma ameaça global importante.
"Este é um problema de segurança, não apenas um problema de saúde global, não apenas um problema de desenvolvimento", avaliou.
A mensagem é fundamental para a nova iniciativa da Cepi de arrecadar US$3,6 bilhões para seu trabalho de 2027 a 2031, disse Hatchett. A coalizão já tem US$1,1 bilhão em recursos existentes, e por isso está pedindo mais US$2,5 bilhões, para ajudar a acelerar o desenvolvimento de vacinas contra ameaças pandêmicas e epidêmicas.
"Precisamos reconhecer as ameaças para as quais a Cepi está desenvolvendo capacidades de preparação", disse, citando vírus que surgem naturalmente, acidentes de laboratório e o risco de ameaças biológicas deliberadamente criadas por agentes mal-intencionados, potencialmente possibilitadas pelos avanços na inteligência artificial — avanços que também poderiam acelerar os esforços de resposta.
Segundo ele, a mensagem ressoou nos governos, mesmo com o enfraquecimento das memórias da pandemia e o clima de financiamento assumindo um tom mais desafiador, com os países ricos — liderados pelos EUA — retirando-se da ajuda.
O governo Trump cortou todo o financiamento, em particular para a Gavi, grupo que ajuda a comprar vacinas para os países mais pobres do mundo. O secretário de Saúde do presidente Donald Trump, Robert F. Kennedy Jr., há muito promove visões antivacinas que contradizem as evidências científicas.
"Estou preocupado com a politização da política de vacinas nos EUA", disse Hatchett, acrescentando que um sentimento antivacina mais amplo também poderia enfraquecer a aceitação em futuras pandemias.
No ano passado, os EUA cancelaram mais de US$700 milhões em financiamento para a vacina de mRNA contra a gripe aviária da Moderna para humanos. A Cepi interveio com US$54,3 milhões para apoiar o desenvolvimento da vacina em fase avançada em dezembro.
Hatchett, que viajará aos EUA para conversas nas próximas semanas, disse que Washington compreende a ameaça representada por epidemias e pandemias e espera que continue sendo um parceiro forte. Ele acrescentou que o país continuou a trabalhar com a Cepi durante o governo Trump, inclusive nos recentes surtos da doença do vírus Marburg em Ruanda e na Etiópia.