UE discute competitividade e mercado único em reunião informal
Draghi destacou a necessidade urgente de ação por parte do bloco
O Castelo de Alden Biesen, na Bélgica, sediou nesta quinta-feira (12) uma reunião informal entre os líderes dos 27 países-membros da União Europeia para discutir como o bloco pode recuperar a competitividade de sua economia.
O encontro, que contou com diversos debates centrados em um relatório elaborado pelo economista Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu e ex-primeiro-ministro da Itália, não resultou na adoção de medidas formais, limitando-se a uma ampla discussão sobre a pressão da indústria e as recentes divergências entre as potências mundiais.
Em seu discurso aos líderes europeus, o banqueiro destacou a deterioração do ambiente econômico e a necessidade urgente de ação por parte da UE. Já Enrico Letta, outro ex-premiê italiano, ressaltou a importância de um mercado único europeu, sem o qual seria impossível manter a competitividade. Segundo ele, essa integração pode ser a "melhor resposta a Donald Trump", presidente dos Estados Unidos.
"O mercado único é a nossa melhor resposta a Trump e o alicerce da nossa soberania. Em setores estratégicos, precisamos passar de 27 mercados para apenas um. O que precisamos agora é de um caminho claro para concluir esse processo, com resultados rápidos e conquistas concretas já em 2026, 2027 e 2028. Se não conseguirmos implementar uma forte integração do mercado financeiro, será impossível sermos suficientemente competitivos", declarou Letta.
O italiano acrescentou que pretende propor uma "Lei do Mercado Único", baseada em "três pilares verticais: energia, conectividade e mercados financeiros, e três facilitadores horizontais".
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que os preços da energia precisam cair, especialmente por serem "estruturalmente muito altos". A dirigente também mencionou que isso se deve à dependência de importações de terceiros e às limitações da infraestrutura.
Já António Costa, chefe do Conselho Europeu, destacou que há um "consenso unânime sobre a necessidade de avançar com a agenda e alcançar resultados concretos". O português também afirmou que a cúpula informal na Bélgica demonstrou que um "sentimento de urgência" foi compartilhado entre os participantes.
O presidente da França, Emmanuel Macron, ressaltou a importância de que o bloco "avance rapidamente e tome decisões muito concretas" nos próximos meses.
Os Estados-membros da UE concordaram sobre a necessidade de fortalecer rapidamente a economia europeia. No entanto, os líderes não chegaram a um consenso sobre como financiar esse novo ciclo de investimentos. Itália e Alemanha, por exemplo, se opõem firmemente à possibilidade de uma nova dívida comum, defendida por Paris. .