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EUA lançam novos ataques após Trump ameaçar atacar o Irã "com muita força"

10 jun 2026 - 13h04
(atualizado às 20h26)
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Os Estados Unidos iniciaram uma nova rodada de ataques contra ‌múltiplos alvos no Irã durante a noite, informou o Exército norte-americano nesta quarta-feira, horas depois de o presidente Donald Trump prometer novos ataques caso não houvesse um acordo de paz.

"Os ataques são uma resposta à agressão injustificada e contínua do Irã", disse o Comando Central das Forças Armadas em uma publicação na rede social X, acrescentando que os ataques começaram às 0h45 em Teerã.

Os ataques são o mais recente desdobramento em uma escalada de investidas que ameaçam reacender uma guerra em grande escala, interrompida no início de abril, quando os ⁠dois lados concordaram com um frágil cessar-fogo.

Uma explosão foi ouvida na cidade portuária de Sirik, e as defesas aéreas foram ativadas na zona ‌oeste de Teerã, informou a agência de notícias iraniana Mehr.

Trump havia dito mais cedo a jornalistas nesta quarta-feira na Casa Branca: "Vamos atacá-los, atacá-los com muita força."

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse posteriormente durante uma visita ao Comando Central na Flórida que os ‌ataques "devem promover nossos interesses militares e também fortalecer nossa posição diplomática".

"Vamos atacá-los com ‌força nesta noite, e esperamos que o Irã tome uma boa decisão", disse. "Se precisarmos negociar com bombas, negociaremos com bombas."

Os Estados ⁠Unidos e o Irã trocaram tiros diversas vezes desde a vigência do cessar-fogo provisório, mesmo com as tentativas frustradas dos negociadores de pôr fim à guerra que já dura três meses. Trump afirmou repetidamente que um acordo está próximo, embora não haja sinais de avanços significativos, além de ameaçar retomar os bombardeios.

Na terça-feira, as Forças Armadas dos EUA atacaram sistemas de defesa aérea e radares ao redor do Estreito de Ormuz, após um helicóptero de ataque norte-americano ser abatido próximo à estratégica via navegável na segunda-feira. O Irã respondeu com mísseis e ‌drones a bases dos EUA na Jordânia, Kuweit e Bahrein. Uma autoridade norte-americana afirmou que não houve danos significativos.

O Irã acusou os EUA de ‌atacar reservatórios que abasteciam 10 aldeias com ⁠água potável e de violar o ⁠direito internacional.

"Isto não é dano colateral -- é um crime de guerra premeditado e uma violação flagrante dos direitos humanos", disse o porta-voz do Ministério das ⁠Relações Exteriores, Esmaeil Baghei.

O Pentágono não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Trump, que ‌já ameaçou destruir a infraestrutura civil do ‌Irã, não disse se os próximos ataques teriam como alvo usinas de energia e pontes.

Em resposta, o chefe da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, alertou que "a guerra não se limitará à região".

Apesar da linguagem beligerante de ambos os lados, houve sinais de continuidade dos esforços diplomáticos.

Uma delegação do Catar, que tem atuado como mediadora entre os Estados Unidos e ⁠o Irã, desembarcou em Teerã nesta quarta-feira para discutir os últimos acontecimentos, informou a mídia iraniana.

MISSÃO SECRETA

A guerra matou milhares de pessoas e interrompeu cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural, fazendo com que os preços subissem drasticamente. O Irã bloqueou o tráfego pelo Estreito de Ormuz, enquanto os EUA mantiveram seu próprio bloqueio aos portos iranianos.

Os preços do petróleo subiram quase US$ 3 após a ameaça de escalada do conflito feita por Trump, chegando ‌a US$ 94 por barril.

Trump afirmou que navios transportando 100 milhões de barris de petróleo desafiaram o Irã ao atravessar o estreito como parte de uma missão militar secreta. Ele disse que os preços do petróleo estariam muito mais altos sem essa ação.

Hegseth ⁠afirmou que navios têm transitado pelo estreito "no meio da noite, protegidos pelos Estados Unidos de uma forma que o Irã não consegue impedir, não consegue ver".

Em outro comunicado, as Forças Armadas dos EUA informaram que desativaram um navio-tanque que transportava petróleo bruto iraniano no Golfo de Omã na terça-feira, pelo segundo dia consecutivo.

LÍBANO

Os combates em uma guerra paralela entre Israel e militantes do Hezbollah, apoiados pelo Irã, no Líbano, continuaram. Ataques aéreos israelenses no sul do Líbano mataram pelo menos 13 pessoas nesta quarta-feira, segundo fontes de segurança libanesas, enquanto o Hezbollah reivindicou novos ataques contra as forças israelenses.

As exigências de Teerã incluem o fim dos ataques de Israel no Líbano, o levantamento das sanções contra o Irã, a liberação de bilhões de dólares em ativos congelados e o reconhecimento de seu controle sobre o canal.

Trump afirma que o Irã deve acabar com as restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz. Também defende que qualquer acordo de paz deve garantir que o Irã não possa desenvolver uma arma nuclear.

O Irã nega qualquer ambição do tipo.

O Conselho de Governadores da agência nuclear da ONU, composto por 35 nações, aprovou nesta quarta-feira uma resolução apoiada pelos EUA, exigindo que o Irã declare seus estoques restantes de urânio enriquecido e permita que inspetores os verifiquem. O Irã classificou a resolução como "política".

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