Supostas cartas de Francisco revelam luta contra 'trama mafiosa' do Opus Dei
Argentino teria abordado disputas em mensagens para bispo de Barbastro
Cartas inéditas reveladas pelo jornal El País mostram o apoio do papa Francisco ao bispo Ángel Pérez Pueyo contra o Opus Dei na disputa pelo santuário de Torreciudad e pela posse de uma imagem histórica. Em manuscritos de 2023 e 2024, o pontífice pediu firmeza ao bispo, nomeou um comissário especial e denunciou "tramas mafiosas". O conflito integra um movimento mais amplo de Bergoglio para restringir a autonomia da organização, em um impasse que permanece sem solução sob o papado de Leão XIV.
Duas cartas manuscritas até agora inéditas revelam o apoio que o finado papa Francisco deu ao bispo de Barbastro-Monzón, Ángel Pérez Pueyo, durante seu longo conflito com o Opus Dei pelo controle do santuário de Torreciudad, considerado o coração espiritual da organização na Espanha.
A informação foi revelada nesta quinta-feira (3) pelo jornal espanhol "El País", que teve acesso aos documentos enviados pelo então pontífice argentino.
Em uma delas, datada de 13 de julho de 2023, Jorge Mario Bergoglio escreveu ao bispo para não recuar: "Não ceda". Quatro dias depois, Pérez Pueyo destituiu o reitor do santuário e nomeou um padre de sua confiança, desencadeando o primeiro confronto público com o Opus Dei.
A segunda carta remonta a outubro de 2024, quando o então líder da Igreja Católica nomeou um comissário especial para o complexo de Torreciudad: o arcebispo espanhol Alejandro Arellano, decano do Tribunal da Rota Romana.
"Ao nomear o Decano da Rota, torno visível minha intervenção direta nas atividades do Opus Dei", escreveu Francisco ao bispo, acrescentando que, ao propor uma nova destinação para ele, buscava "livrá-lo de todas as 'tramas mafiosas' em curso".
"Dessa forma, ficará claro que minha intervenção é total", escreveu o argentino, segundo a carta citada pelo El País.
De acordo com o jornal, a referência a uma "nova destinação" dizia respeito a uma proposta de transferência de Pérez Pueyo para a Diocese de Ciudad Real. No entanto, o prelado teria pedido a Francisco para permanecer à frente de Barbastro, ao mesmo tempo em que relatava ao pontífice as pressões que vinha sofrendo.
Ainda segundo a publicação, o caso de Torreciudad faz parte de uma política mais ampla do argentino destinada a restringir a autonomia do Opus Dei e colocá-lo mais firmemente sob a autoridade do Vaticano.
Também está no centro da disputa a estátua de Nossa Senhora dos Anjos, do século 11, que o Opus Dei transferiu para Torreciudad na década de 1960.
O grupo afirma possuir documentos que atestam a transferência definitiva da imagem, enquanto o bispo sustenta que tal documentação não existe nos arquivos diocesanos e exige a sua devolução.
A controvérsia permanece sem solução, mesmo após a ascensão de Leão XIV ao papado.
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