Governo Meloni se torna nesta sexta o mais longevo da República Italiana
Com 1.413 dias no poder, premiê ultrapassará o finado Silvio Berlusconi
Giorgia Meloni tornou-se a líder de um governo contínuo mais longeva da história da República Italiana ao atingir 1.413 dias no poder, superando Silvio Berlusconi. Apoiada por sólida maioria parlamentar desde 2022, sua gestão de direita combina estabilidade política, redução do déficit fiscal e reformas penais rígidas com controvérsias, como a política migratória na Albânia, embates com o Judiciário e atritos na diplomacia internacional, mantendo a meta de governar até 2027.
A premiê Giorgia Meloni se tornará oficialmente nesta sexta-feira (4) a chefe de governo mais longeva da história da República da Itália.
Ao completar 1.413 dias à frente do Conselho de Ministros, a primeira mulher a ocupar o cargo vai superar o recorde de seu amigo Silvio Berlusconi, que comandou seu segundo governo entre 11 de junho de 2001 e 23 de abril de 2005, por 1.412 dias.
Líder de uma coalizão bastante sólida, Meloni conta com maioria confortável tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, o que permitiu que ela governasse com relativa estabilidade desde o início da atual legislatura, em outubro de 2022.
No entanto, quando se leva em conta todas as gestões de um mesmo primeiro-ministro, ela é ainda a sétima com mais tempo no poder, em ranking também liderado por Berlusconi, que ocupou o Palácio Chigi por 3.339 dias.
O finado líder conservador é seguido por Giulio Andreotti (2.678), Alcide De Gasperi (2.591), Aldo Moro (2.279), Amintore Fanfani (1.659) e Romano Prodi (1.608). Ao todo, a Itália já teve 68 governos e 31 premiês em cerca de 80 anos de República.
Gestão - Os quase quatro anos de governo Meloni até o momento foram marcados por embates com a oposição e a magistratura, atritos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e crises internacionais.
A política de 49 anos chegou ao poder se apresentando como a "azarona" que desafiou as previsões. Agora, reivindica ter "virado os prognósticos de cabeça para baixo", com estabilidade política, contas públicas equilibradas e relação déficit/PIB em queda de 8% para pouco mais de 3% ? muito perto de encerrar o procedimento de infração aberto pela União Europeia.
O primeiro decreto-lei (equivalente às medidas provisórias do Brasil) de seu governo foi editado nove dias após o juramento de 22 de outubro de 2022, tratando de raves ilegais e prisão perpétua sem benefícios. O texto antecipou uma série de medidas de segurança e penais criticadas pela centro-esquerda, como a revogação do crime de abuso de poder.
Na economia, Meloni encurtou a vida do "Superbonus", programa de isenções fiscais para obras de eficiência energética, eliminou a Renda de Cidadania, espécie de Bolsa Família da Itália, e deu continuidade ao corte progressivo da carga fiscal na folha de pagamento.
A premiê costuma se vangloriar da "taxa de ocupação mais alta desde que Garibaldi unificou a Itália".
Após o naufrágio de Cutro, com 94 mortos, Meloni apostou no protocolo com a Albânia para transferência de migrantes forçados para fora do país, projeto contestado pela oposição e pela Justiça italiana, mas que encontrou eco em parte da Europa. A primeira-ministra reivindica uma "mudança de paradigma" na defesa das fronteiras externas da União Europeia.
O funcionamento dos centros de detenção na Albânia, porém, exigiu mais de uma mudança normativa, também por causa de decisões judiciais, exacerbando as tensões entre Executivo e Judiciário, que passaram também pela controversa libertação de um dirigente líbio acusado pelo Tribunal Penal Internacional de Haia de crimes contra a humanidade e pela derrota no referendo sobre Justiça, em março passado.
Após o resultado da consulta popular, chegou-se a cogitar uma possível renúncia de Meloni, mas ela decidiu seguir em frente até o fim da legislatura, previsto para 2027.
Outra grande reforma prometida pela líder de direita, o voto direto para premiê, também não saiu do papel. No plano internacional, ela retirou a Itália da Nova Rota da Seda, voltou-se ao Sul Global e fortaleceu laços com países do Golfo e a Índia. O ponto alto foi a cúpula do G7 na Puglia, que teve a presença inédita de um papa, Francisco, convidado a debater inteligência artificial.
A relação com Joe Biden era boa, e com Donald Trump começou "especial". Única líder europeia na posse do republicano, Meloni apostou em ser "ponte" na guerra tarifária, mas perdeu espaço ao não apoiar a guerra contra o Irã. Em paralelo, a crise em Gaza tensionou a relação com o governo de Israel, enquanto as ruas na Itália ferviam com protestos pró-Palestina.
"Falta apenas a invasão dos gafanhotos", brinca a premiê com frequência. Já antes da crise no Estreito de Ormuz, a guerra na Ucrânia pressionava os preços do gás e de matérias-primas, reforçando a aposta no Plano Mattei para a África, que busca transformar a Itália em hub energético. .
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