Homem usa robô aspirador para flagrar traição da esposa e acaba preso
Um caso inusitado em Taiwan terminou com uma reviravolta judicial. Um homem conseguiu indenização após usar imagens captadas por um robô aspirador para provar que a esposa mantinha um relacionamento extraconjugal, mas acabou condenado criminalmente pela maneira como obteve as gravações.
A história veio à tona após uma decisão judicial divulgada recentemente pela imprensa local. O homem, que não teve a identidade revelada, havia se casado em 2021 e morava com a esposa na residência dos pais dele. A casa de férias da família era frequentada pelo casal principalmente durante feriados.
As desconfianças surgiram em setembro de 2023, quando o homem encontrou uma escova de dentes usada na casa de férias. O objeto levantou suspeitas sobre a possibilidade de outra pessoa estar frequentando o imóvel.
Na tentativa de entender o que estava acontecendo, ele também analisou imagens de câmeras de segurança de um estacionamento. Nas gravações, identificou um homem desconhecido que havia levado sua esposa de carro até a residência anteriormente.
Robô aspirador transmitiu encontro íntimo
Em dezembro de 2023, o homem acionou remotamente o robô aspirador instalado na casa de férias por meio de um aplicativo de celular. O equipamento possuía uma câmera e recursos de áudio que permitiam transmissão ao vivo.
A intenção inicial, segundo o caso relatado pela imprensa, era utilizar o dispositivo para conversar com a esposa. No entanto, durante a transmissão, ele teria se deparado com uma cena íntima envolvendo a mulher e outro homem.
Ao perceber o que estava acontecendo, o marido começou a registrar as imagens com o objetivo de utilizá-las como evidência em uma ação judicial. As gravações mostravam a mulher trocando de roupa, abraçando o outro homem e circulando nua pelo imóvel. O suposto amante também aparecia nas imagens, deitado no sofá.
Com o material em mãos, o homem entrou com uma ação civil contra a esposa e o outro indivíduo. Ele alegou que o relacionamento havia ultrapassado os limites de uma amizade e pediu uma indenização de NT$ 2 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 327 mil.
O tribunal considerou que havia elementos suficientes para concluir que a relação entre os dois ultrapassava uma amizade comum. Ao final, determinou que a esposa e o homem envolvido no caso pagassem conjuntamente NT$ 500 mil, cerca de R$ 81 mil, ao marido.
Apesar da vitória no processo civil, o episódio ainda teria uma consequência para o próprio autor da ação.
Esposa processou o marido por invasão de privacidade
Após a decisão, a mulher entrou com uma ação contra o marido por ter registrado imagens de sua intimidade sem autorização. Na tentativa de se defender, o homem argumentou que as gravações já haviam sido aceitas como evidência no processo civil e que, portanto, sua conduta teria sido juridicamente justificável.
O argumento, porém, não convenceu o tribunal. A Justiça entendeu que os deveres decorrentes do casamento não eliminam o direito individual à privacidade. Para os magistrados, o homem agiu deliberadamente ao registrar as imagens e não tinha autorização da esposa para fazê-lo.
O tribunal também considerou que eventuais luzes, sinais ou avisos sonoros emitidos pelo robô aspirador não eram suficientes para demonstrar que a mulher sabia que estava sendo filmada ou que havia concordado com a gravação.
O marido foi condenado a cinco meses de prisão e recebeu uma multa de NT$ 150 mil, aproximadamente R$ 24 mil, pela gravação ilegal de imagens privadas.
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