EUA atingem lançadores iranianos na Ilha de Larak no primeiro ataque em semanas ao país
Porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã classificou o ataque como um "erro estratégico e fatal do regime Trump" e afirmou que o "inimigo pagará as consequências desse erro de cálculo tanto nas esferas econômica quanto militar".
No primeiro ataque ao Irã desde julho, forças dos EUA destruíram lançadores de foguetes na Ilha de Larak, no Estreito de Ormuz, para impedir o lançamento de minas navais. A ofensiva com drones deixou dois mortos e feridos, levando a Guarda Revolucionária Islâmica a prometer retaliações militar e econômica. O episódio reacende as tensões em uma rota vital para o petróleo global, em meio ao histórico recente de conflitos, bloqueios marítimos e novas sanções americanas contra Teerã.
Forças dos Estados Unidos atingiram dois lançadores de foguetes na ilha iraniana de Larak, na região do Estreito de Ormuz, de acordo com o porta-voz do Comando Central dos EUA, comandante Tim Hawkins.
"Forças da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) foram observadas preparando-se para lançar foguetes com minas navais no Estreito de Ormuz", disse ele, em declaração citada pela CBS News, parceira da BBC nos EUA.
A IRGC afirmou que o ataque de domingo matou e feriu várias pessoas e prometeu "responder e punir" os responsáveis pela ofensiva.
Este é o primeiro ataque conhecido dos EUA desde que o presidente americano, Donald Trump, havia interrompido a campanha militar contra o Irã no final de julho.
No início deste mês, o governo americano declarou que havia concluído a remoção de todas as minas da principal rota de navegação do estreito.
A Ilha de Larak fica próxima ao importante porto de Bandar Abbas e está situada exatamente no Estreito de Ormuz, uma via navegável vital para o transporte marítimo global.
Atualmente, o Irã está direcionando o tráfego de petroleiros para passar por essa ilha para inspeção e, segundo relatos, obrigando as embarcações a pagar US$ 2 milhões (cerca de R$ 10,4 milhões) para atravessar.
Hossein Mohebbi, porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, classificou o ataque como um "erro estratégico e fatal do regime Trump" e afirmou que o "inimigo pagará as consequências desse erro de cálculo tanto nas esferas econômica quanto militar".
A agência de notícias iraniana Tasnim, ligada à IRGC, informou que o ataque foi realizado por drones. Relatos indicam que duas pessoas morreram e outras duas ficaram feridas, segundo a agência.
Quando declarou, na semana passada, que todas as minas colocadas pelo Irã no Estreito de Ormuz como parte de seus esforços para bloquear a rota haviam sido detonadas ou removidas, Trump afirmou que o Irã havia sido alertado de que qualquer navio ou barco que lançasse novas minas seria destruído.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, descreveu a afirmação de Trump como uma manobra de propaganda enganosa.
O Irã enfrenta uma nova onda de pressão econômica depois que Washington anunciou mais uma campanha de sanções em 24 de agosto, visando isolar ainda mais Teerã e ampliar as sanções secundárias contra seus aliados.
Autoridades iranianas e a mídia estatal, em grande parte, minimizaram o anúncio, tratando-o como uma continuação de medidas econômicas anteriores divulgadas pelos EUA e que, segundo eles, foram comunicadas após o fracasso militar de Washington no conflito recente entre os dois países, que já ultrapassou a marca de seis meses.
Os EUA e Israel lançaram ataques de grande escala contra o Irã em 28 de fevereiro; o Irã respondeu atacando Israel, bases dos EUA e Estados aliados dos americanos no Golfo, chegando a fechar efetivamente o Estreito de Ormuz para o tráfego marítimo.
Cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passavam por ali antes do início da guerra.
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