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Morte de Harald V, aos 89 anos, abre nova era para a turbulenta monarquia norueguesa

O rei Harald V da Noruega morreu nesta sexta-feira (28), aos 89 anos, no Hospital Universitário de Oslo, após tratamento para uma infecção bacteriana no sangue. O monarca, que reinou por 35 anos e era o soberano mais velho da Europa em exercício, foi sucedido automaticamente por seu filho, o príncipe herdeiro Haakon, de 53 anos, que assume o trono como Haakon VIII.

28 ago 2026 - 07h16
(atualizado às 07h34)
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Resumo
Aos 89 anos, morreu o rei Harald V da Noruega, marcando o fim de um reinado iniciado em 1991 e pautado pela modernização, inclusão e unidade nacional. Primeiro herdeiro nascido no país em quase 570 anos, Harald foi atleta olímpico e casou-se com uma plebeia. Sua morte gerou forte comoção internacional, com homenagens de líderes globais, mas abre um período desafiador para a sucessão real, que enfrenta o desgaste na opinião pública devido a escândalos recentes envolvendo a família de seu herdeiro.
O rei Harald III, da Noruega, em Oslo, em 8 de abril de 2025.
O rei Harald III, da Noruega, em Oslo, em 8 de abril de 2025.
Foto: Fredrik Varfjell/NTB Scanpix via - Fredrik Varfjell / RFI

Descendente da rainha Vitória do Reino Unido, Harald nasceu em 21 de fevereiro de 1937 e foi o primeiro herdeiro real nascido na Noruega em quase 570 anos. Durante a Segunda Guerra Mundial, deixou o país ainda criança com a mãe e passou parte do período de exílio nos Estados Unidos, enquanto seu avô, o rei Haakon VII, e seu pai, o príncipe herdeiro Olav, se instalaram em Londres e lideraram o governo norueguês no exílio.

Após retornar à Noruega em 1945, Harald frequentou escolas públicas, tornando-se o primeiro integrante da família real a fazê-lo. Mais tarde, estudou história, economia e ciência política em Oxford e recebeu formação militar. Apaixonado por vela, representou a Noruega em três Jogos Olímpicos — Tóquio, em 1964, Cidade do México, em 1968, e Munique, em 1972 — e continuou competindo em regatas mesmo depois de assumir o trono.

Sua vida pessoal também marcou a transformação da monarquia. Harald enfrentou durante anos a oposição do pai ao casamento com Sonja Haraldsen, filha de um comerciante de Oslo e sem origem aristocrática. Em 1968, após quase uma década de resistência, os dois se casaram. A união foi vista como um sinal de aproximação da monarquia com a sociedade norueguesa. O casal teve dois filhos, a princesa Märtha Louise e Haakon.

Modernização 

Harald tornou-se rei em janeiro de 1991, após a morte de seu pai, Olav V. Durante seu reinado, procurou modernizar uma instituição sem poder político direto, mas com importante peso simbólico. A Casa Real passou a divulgar suas contas, residências foram abertas ao público e o monarca usou seus discursos para defender tolerância, inclusão e proteção ambiental. Também apoiou mudanças nas regras de sucessão que ampliaram a igualdade entre homens e mulheres na linha sucessória.

Um dos momentos de maior projeção de Harald ocorreu após os atentados de 22 de julho de 2011, em Oslo e na ilha de Utøya. O rei se tornou uma referência de unidade nacional ao defender uma sociedade aberta e democrática e ao demonstrar apoio às famílias das vítimas.

Escândalos

Apesar da popularidade pessoal de Harald, a monarquia chega à sucessão em meio a uma grave crise de imagem. A princesa herdeira Mette-Marit, esposa de Haakon, foi alvo de controvérsia após a divulgação, em 2026, de documentos que revelaram correspondência mantida com o criminoso sexual Jeffrey Epstein entre 2011 e 2014.

O então príncipe herdeiro Haakon e a mulher, a princesa Mette-Marit, em retrato oficial divulgado em 18 de abril de 2024.
O então príncipe herdeiro Haakon e a mulher, a princesa Mette-Marit, em retrato oficial divulgado em 18 de abril de 2024.
Foto: RFI

Seu filho, Marius Borg Høiby, foi condenado a quatro anos de prisão por crimes que incluem estupro, violência doméstica e tráfico de drogas. Os episódios contribuíram para uma redução do apoio à monarquia, que chegou a 60% em fevereiro de 2026, antes de se recuperar para 64% em maio.

Repercussão internacional

A morte do monarca provocou manifestações de pesar de autoridades europeias e de organizações internacionais.

O rei Charles III do Reino Unido lamentou a morte de seu "querido primo" e descreveu Harald como uma "figura imponente" que conduziu a Noruega durante períodos de grandes mudanças com "calor humano e humildade". Charles destacou ainda a dedicação de Harald ao povo norueguês e os fortes vínculos históricos e familiares entre os dois países, reforçados durante a Segunda Guerra Mundial. Os dois monarcas eram parentes em segundo grau.

O presidente francês Emmanuel Macron também manifestou "profunda tristeza" pela morte de Harald. Em mensagem publicada no X, Macron afirmou que o rei trabalhou incansavelmente durante seu reinado para fortalecer os laços entre a Noruega e a França. O presidente francês recordou ainda a "calorosa recepção" que recebeu durante sua visita a Oslo, em junho de 2025.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou que Harald foi um líder dedicado e destacou sua formação militar e seu papel como defensor das Forças Armadas norueguesas e amigo de longa data da aliança. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, descreveu Harald como alguém que serviu seu país com "calor, humildade e um inabalável senso de dever", além de classificá-lo como um "verdadeiro europeu" e servidor de seu povo.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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