Alemanha sobe para 15,8 mil o recorde de mortes pelo calor neste verão, o mais letal no país
O número de mortes associadas à onda de calor na Alemanha subiu para 15,8 mil, segundo dados publicados nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Robert Koch (RKI), a autoridade nacional de saúde. O levantamento, que estabelece um novo recorde, considerou os óbitos até o dia 16 de agosto.
A Alemanha registrou o verão mais letal de sua história, com 15,8 mil mortes causadas pelo calor extremo, atingindo sobretudo idosos. O recorde histórico intensificou a crise política no país: o chanceler Friedrich Merz não anunciou novas medidas nacionais e transferiu a responsabilidade da proteção térmica aos estados federados. A postura do governo gerou duras críticas de ambientalistas e da oposição, que o acusaram de negligência diante dos impactos das mudanças climáticas.
A Alemanha vivenciou o verão mais letal de sua história neste ano, provocado pelas ondas de calor inéditas que atingiram parte da Europa. O recorde anterior, de 14 mil mortes ligadas a temperaturas elevadas no país, havia sido estabelecido há apenas uma semana e incluía dados coletados até 9 de agosto. Agora, esse número subiu para 15,8 mil, com os óbitos ocorridos até o dia 16.
Segundo o RKI, deste total, 9,6 mil ocorreram durante a semana mais quente, entre 22 e 28 de junho, quando a Alemanha registrou temperaturas que ultrapassaram os 41°C em algumas áreas.
Entre o final de julho e meados de agosto, outro período de clima extremo, foram registradas aproximadamente 4 mil mortes relacionadas ao calor. Pessoas com 75 anos ou mais foram as mais afetadas, aponta o relatório semanal do RKI.
Recorde anterior era de 2018
De acordo com o Instituto Robert Koch, antes do verão deste ano, considerado o mais letal, o recorde anterior era de 2018, com 8,9 mil óbitos na Alemanha, país mais populoso da União Europeia, com 82 milhões de habitantes.
A escala de mortes atribuídas às altas temperaturas é baseada emmétodos estatísticos, comparando o número de falecimentos que ocorreram durante semanas de verão com e sem ondas de calor. O calor em si não pode ser listado como causa de morte em certidões de óbito e, portanto, não aparece nas estatísticas de mortalidade.
Na maioria dos casos, é uma combinação de altas temperaturas e condições preexistentes, como doenças cardiovasculares, pulmonares ou renais, que leva à morte. É por isso que se usa o termo "mortes relacionadas ao calor".
Debate na esfera política alemã
Essas ondas de calor, intensificadas devido às atividades humanas, afetaram toda a Europa. Diante deste cenário, na terça-feira (25), o chanceler alemão, Friedrich Merz, defendeu seu compromisso com o combate às mudanças climáticas. Entretanto, após um seminário governamental de dois dias, nenhuma nova medida foi anunciada nessa área.
O líder conservador transferiu a responsabilidade para os 16 estados federados do país, afirmando que eles tinham a responsabilidade principal pela proteção contra ondas de calor. Também lembrou-lhes que receberiam € 100 bilhões (mais de R$ 600 bilhões) nos próximos 12 anos de um fundo especial dedicado à infraestrutura e à proteção climática.
"Não faltam programas, nem recursos", afirmou Merz, acrescentando que o governo analisaria possíveis medidas de apoio aos setores agrícola e florestal após a seca e os incêndios florestais.
Thorsten Frei, líder parlamentar da União Democrata-Cristã (CDU), de Merz, rejeitou uma proposta dos ministros do Partido Social Democrata (SPD, de centro-esquerda) para consagrar a proteção climática na Constituição alemã como uma tarefa conjunta dos governos nacional, estaduais e municipais.
Em resposta, a ONG ambiental alemã Deutsche Umwelthilfe acusou o governo de Friedrich Merz de ser "irresponsável" por "não ter adotado nenhuma medida eficaz de proteção contra o calor após um verão extremo que causou milhares de mortes" no país.
Tausende Hitzetote - und die Bundesregierung beschließt keinen wirksamen Hitzeschutz. Das ist verantwortungslos.
Wir fordern: Stadtgrün schützen, entsiegeln, Kommunen ausreichend finanzieren und ein Baumfällmoratorium für gesunde Stadtbäume. https://t.co/MDTgeZCsxo
— Deutsche Umwelthilfe (@Umwelthilfe) August 27, 2026
RFI com AFP
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