Presença militar em partido de general na Itália é alvo de inquérito
Futuro Nacional está em ascensão nas pesquisas para eleições de 2027
O Ministério Público Militar de Roma abriu inquérito para apurar a presença de militares da ativa no partido de extrema direita Futuro Nacional, fundado pelo general da reserva Roberto Vannacci, o que pode violar a exigência de neutralidade das Forças Armadas. A defesa do general nega crimes, alegando que o caso caberia apenas à esfera disciplinar. Notório por posições ultraconservadoras e após romper com a base governista de Giorgia Meloni, a nova sigla de Vannacci pontua cerca de 7% nas pesquisas.
O Ministério Público Militar de Roma abriu uma investigação preliminar sobre a suposta presença de membros das Forças Armadas no partido do general da reserva Roberto Vannacci, o Futuro Nacional (FN), de extrema direita.
O inquérito partiu de uma denúncia feita pelo Sindicato dos Militares. Em comunicado, o Ministério Público Militar disse ter iniciado "investigações preliminares voltadas a verificar a possível existência de fatos em relação a pessoas sujeitas" à sua jurisdição.
Segundo a nota, a medida mira "a posição de membros das Forças Armadas dentro da estrutura organizativa 'Futuro Nacional'".
A suspeita é de que dois militares da ativa teriam ligação com o partido de Vannacci, o que violaria o dever de "neutralidade" dos integrantes das Forças Armadas.
Já o advogado do general, Giorgio Carta, disse que os fatos descritos "não constituem qualquer delito criminal, seja ele comum ou militar". "Qualquer possível questão poderia, no máximo, ser levantada em âmbito disciplinar, mas certamente não em âmbito criminal", acrescentou.
Segundo o defensor, "nenhuma disposição legal proíbe expressamente um membro das Forças Armadas em serviço de ocupar um cargo em um partido político". "Estamos, portanto, absolutamente tranquilos e confiantes de que as investigações serão concluídas rapidamente com o arquivamento do processo", afirmou.
Ascensão - General paraquedista que se orgulha de ter servido no Afeganistão e no Iraque, Vannacci ganhou os holofotes em 2023, quando publicou um livro recheado de teses homofóbicas e racistas. Na obra, o general diz que homossexuais "não são normais" e denuncia um suposto "lobby gay internacional" para promover relações homoafetivas.
Ele também defende a expulsão de imigrantes que não assimilaram a cultura italiana, a proibição de conteúdos LGBTQIA+ na televisão até as 23h, o veto ao aborto, a abolição do crime de feminicídio, o banimento da assim chamada "teoria de gênero" das escolas, treinamento militar em colégios e a reaproximação com a Rússia após o fim da guerra na Ucrânia.
Além disso, Vannacci já afirmou que o ditador fascista Benito Mussolini era um "estadista" que fez "coisas boas" e prega um modelo de "patriarcado mediterrâneo", com a formação de "machos fortes para proteger as mulheres".
Atraído pela atenção dada ao militar, o vice-premiê e ministro da Infraestrutura da Itália, Matteo Salvini, o convidou para integrar o seu partido, a nacionalista Liga, e deu a ele até o cargo de vice-secretário da legenda, além de papel de destaque nas eleições europeias de 2024, quando o general foi o segundo candidato mais votado no país.
No entanto, em fevereiro de 2026, Vannacci abandonou Salvini e passou a fazer oposição a Meloni, tornando-se uma dor de cabeça para a coalizão da premiê.
As pesquisas colocam o FN com cerca de 7% das intenções de voto, à frente da Liga e empatado com o Força Itália, que integram o governo. Já o Irmãos da Itália (FdI), partido de Meloni, lidera com 27%, seguido de duas legendas de oposição: o progressista Partido Democrático (PD), com 21%, e o populista Movimento 5 Estrelas (M5S), com 13%. .
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