Sob pressão dos EUA, Irã endurece tom e reafirma que não desistirá do enriquecimento de urânio
Neste domingo (8), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o recente reforço militar dos Estados Unidos no Golfo "não assusta" Teerã e reiterou que não pretende abrir mão do enriquecimento de urânio, ponto central de tensão com Washington, destacando que o país não aceitará imposições externas "mesmo que uma guerra lhe seja imposta". As declarações acontecem depois da visita do negociador americano Steve Witkoff e do genro do presidente Trump, Jared Kushner, ao convés do porta-aviões USS Abraham Lincoln, ancorado a centenas de quilômetros da costa iraniana.
Siavosh Ghazi, correspondente da RFI em Teerã, e AFP
Enquanto a visita dos negociador americanos acontecia, a televisão iraniana divulgou um vídeo de animação retratando as tensões entre os dois países.
De um lado, uma pantera asiática — símbolo do Irã — e, do outro, uma águia‑careca, símbolo dos Estados Unidos. De um lado, o porta‑aviões Abraham Lincoln; de outro, um míssil supersônico Fatah-1, com alcance de 1.400 quilômetros e velocidade de Mach 13 — treze vezes a velocidade do som — pronto para ser lançado.
Em seguida aparecem imagens de uma garotinha de vestido, cabelos ao vento, correndo tranquilamente por uma praia do Golfo Pérsico. A águia sobrevoa sua cabeça e começa a se aproximar para atacá-la — mas a pantera surge e captura a águia no ar. O vídeo termina com a cena do míssil atingindo o porta-aviões e fazendo-o naufragar; logo depois, os caças posicionados no convés caem na água.
Em voz off, é possível ouvir uma frase do aiatolá Khamenei, líder supremo iraniano, que afirma: "Nunca seremos os primeiros a iniciar uma guerra, mas se formos atacados, o povo iraniano dará um golpe muito duro no agressor".
Ameaça de uma guerra ainda não totalmente descartada
Apesar da retomada das negociações na sexta-feira (6) entre iranianos e americanos em Omã, a tensão continua elevada e a possibilidade de um conflito ainda não foi totalmente afastada.
"Seu desdobramento militar na região não nos assusta", declarou Abbas Araghchi, no dia seguinte à visita do enviado de Donald Trump ao Oriente Médio no porta-aviões Abraham Lincoln, na região do Golfo. "Somos um povo da diplomacia; também somos um povo de guerra, mas isso não significa que buscamos a guerra", acrescentou Araghchi durante um fórum em Teerã.
"O Irã pagou um preço muito alto por seu programa nuclear pacífico e pelo enriquecimento de urânio", ressaltou o diplomata. "Por que insistimos tanto no enriquecimento e nos recusamos a abandoná-lo, mesmo que uma guerra nos seja imposta? Porque ninguém tem o direito de ditar nossa conduta", insistiu Araghchi, que se reuniu na sexta-feira, em Omã, com o enviado americano Steve Witkoff.