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Rússia aprovou treinamento militar secreto chinês em alto nível, segundo fontes

1 jul 2026 - 10h47
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O treinamento militar secreto realizado pela China com ‌as forças russas no ano passado foi aprovado pessoalmente pelo ministro da Defesa do presidente Vladimir Putin e envolveu diretamente pelo menos quatro generais russos e chineses, segundo duas autoridades europeias e documentos aos quais a Reuters teve acesso.

As autoridades afirmaram que o envolvimento de figuras de tão ⁠alto escalão em treinamentos ligados à guerra na Ucrânia sinaliza a importância ‌dessa cooperação para Rússia e China, o que causou alarme na Europa, mesmo com Pequim negando que isso tenha ocorrido.

Um documento russo confidencial ao ‌qual a Reuters teve acesso referia-se diretamente ‌a um decreto interno emitido pelo ministro da Defesa, Andrei Belousov, ⁠em agosto de 2025.

O documento afirmava que, de acordo com uma decisão de Belousov, uma delegação das Forças Armadas da Rússia viajou para a China a fim de participar de exercícios de treinamento nas instalações do Exército Popular de Libertação (EPL).

TREINAMENTO EM GUERRA RADIOLÓGICA, BIOLÓGICA E QUÍMICA

O mesmo relatório detalhou ‌um dos cursos de treinamento — uma sessão de três semanas focada em ‌proteção radiológica, química e biológica ⁠em uma instalação ⁠militar em Pequim, em novembro.

O relatório e um segundo documento descreveram e exibiram imagens ⁠de soldados russos recebendo instruções de ‌um instrutor chinês, observando ‌um modelo de reator nuclear e aprendendo sobre "reconhecimento químico", "reconhecimento de radiação" e proteção de sistemas de ventilação contra contaminação.

A inclusão do treinamento em guerra radiológica, biológica e química destacou a natureza estratégica dos intercâmbios, ⁠afirmou uma das autoridades europeias, observando que o tema era particularmente delicado para as forças armadas em geral.

Os ministérios da Defesa da Rússia e da China não responderam aos pedidos de comentários para esta reportagem.

O Ministério das Relações Exteriores da China disse ‌em um comunicado que sua posição sobre a crise na Ucrânia permanece consistente.

"As alegações em questão são totalmente infundadas", acrescentou, referindo-se aos detalhes ⁠contidos nesta reportagem.

Pequim afirma ser neutra na guerra da Rússia contra a Ucrânia e se apresenta como mediadora da paz.

De acordo com uma reportagem da Reuters do mês passado, citando agências de inteligência europeias e documentos militares, a China treinou, em novembro, cerca de 200 militares russos, alguns dos quais se juntaram desde então à guerra na Ucrânia.

O Kremlin se recusou a comentar essa reportagem, mas reclamou de "informações falsas" publicadas no Ocidente.

A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou em 15 de junho que Bruxelas havia confirmado, por meio de seus próprios canais, que o treinamento havia ocorrido e que agora estava avaliando as implicações.

Pequim descreveu os comentários dela como "nada além de calúnias".

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