Italiana condenada por adultério no Egito é libertada após intervenção de Roma
Agentes levaram mulher e filha de três anos à delegacia em plena madrugada
A italiana Nessy Guerra, detida na terça-feira (30) no Egito em meio a uma disputa judicial pela guarda de sua filha, foi libertada após a interferência do vice-premiê da Itália e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani. O governo de Roma pediu ainda clemência à mulher, condenada por adultério no país norte-africano.
Guerra foi solta depois que a polícia egípcia foi à sua casa no Cairo durante a madrugada e a levou, juntamente com a filha Aisha, de três anos, para uma delegacia.
De acordo com as autoridades locais, a italiana foi presa em cumprimento a uma ordem de um juiz que determinava que o pai egípcio tivesse acesso à criança.
"Ela [Guerra] foi levada às 3 horas da manhã, junto com a filha para permitir que o pai [da menor], Tamer Hamouda, a visse", disse a advogada de Guerra, Agata Armanetti, à Sky Tg24 antes de sua libertação.
Guerra recebeu assistência da diplomacia local, que conseguiu sua soltura após a interferência de Tajani.
Seu ex-marido Tamer Hamouda possui antecedentes criminais por diversas infrações na Itália e chegou a ser preso depois de ameaçar o cônsul italiano em Hurghada.
"Pergunto-me como podem permitir que um louco com um longo histórico criminal veja a filha e que uma mulher vítima de violência seja tratada dessa maneira", reforçou a defensora, que teme que a alegação de "ver a filha" seja apenas "uma estratégia para levá-la a prisão".
"Quero saber onde termina a Convenção de Istambul sobre violência de gênero e onde começam os direitos das pessoas", pontuou Armanetti.
Guerra, natural de Sanremo, foi condenada no Egito por adultério após uma denúncia feita por Hamouda.
Hoje Tajani informou que a Embaixada da Itália no Caio solicitou formalmente às autoridades egípcias um perdão presidencial para a mulher.
"Nessy Guerra e a pequena Aisha não serão deixadas sozinhas. Continuaremos a trabalhar com determinação e discrição para salvaguardar a dignidade e os direitos de nossas duas cidadãs e para trazê-las de volta à Itália o mais breve possível", afirmou Tajani.
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