Rubio diz que EUA e Venezuela dividiram receita de 1ª venda de petróleo
Secretário de Estado presta depoimento sobre operação para capturar Maduro
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou nesta quarta-feira (28) que o país compartilhou com a Venezuela os recursos obtidos na primeira venda de petróleo venezuelano desde a queda de Nicolás Maduro.
Em depoimento ao Senado norte-americano, Rubio explicou que, dos cerca de US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,6 bilhões) arrecadados, US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) foram destinados ao governo em Caracas, enquanto US$ 200 milhões (aproximadamente US$ 1,04 bilhão) permanecem depositados em uma conta específica.
Segundo ele, o fundo criado para administrar essas receitas é "de curto prazo" e não foi concebido como uma solução permanente.
Além disso, Rubio afirmou que o governo de Donald Trump fez "diversas tentativas" para fazer Maduro deixar a Venezuela voluntariamente antes de deflagrar a operação militar, mas avaliou que o líder chavista "não é um negociador".
"Ele não é alguém com quem se possa fazer um acordo", enfatizou, acrescentando que os EUA esperam retomar a presença diplomática na Venezuela em um "futuro próximo".
De acordo com Rubio, uma equipe já está no território avaliando as condições para a abertura de uma representação diplomática americana no país sul-americano.
"Temos uma equipe no terreno avaliando a situação e acreditamos que podemos abrir uma representação diplomática dos EUA em breve, o que nos permitirá obter informações em tempo real e interagir", revelou.
Em seu depoimento, o chefe da diplomacia dos EUA também destacou que os EUA mantêm uma linha de comunicação "muito respeitosa e produtiva" com a liderança interina da Venezuela.
Por fim, Rubio comentou outros temas da política externa americana. Ele afirmou estar confiante em uma solução "satisfatória para todos" em relação à Groenlândia e disse que os Estados Unidos acompanham com interesse a recente reestruturação militar na China, após a destituição de um general de alta patente, classificando o episódio como um assunto interno de Pequim.
O secretário de Estado dos EUA defendeu ainda que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) precisa ser "repensada", argumentando que aliados mais fortes tornariam a aliança mais eficaz e dariam maior flexibilidade ao seu país para atuar em outras regiões do mundo.
Para ele, isso não significa abandonar a Otan, mas "encarar a realidade" do cenário internacional atual.
Já sobre o Irã, Rubio disse que o país está "mais fraco do que nunca" e avaliou que, embora os protestos tenham diminuído, eles devem voltar a se intensificar no futuro. Questionado sobre o número de mortos durante as manifestações, disse que "certamente milhares de manifestantes foram mortos".