Mulheres latino-americanas dominam corrida pelo comando da ONU
Português António Guterres deixará cargo no início de 2027
A disputa pela sucessão de António Guterres no cargo de secretário-geral da ONU pode ser dominada por mulheres da América Latina e do Caribe. O novo comandante das Nações Unidas assumirá a função apenas em 1º de janeiro de 2027, mas o processo de seleção já está em andamento e é acompanhado de perto nos países da região.
Segundo muitos observadores, existe na ONU uma regra não escrita que determina que, em conformidade com uma rotação geográfica, desta vez caberia à América Latina e ao Caribe vencer a corrida pela Secretaria-Geral, ocupada apenas uma vez por um político da região, o peruano Javier Pérez de Cuéllar, entre 1982 e 1992.
Desde então, o cargo já passou pelos africanos Boutros Boutros-Ghali (1992-1997), do Egito, e Kofi Annan (1997-2007), de Gana, pelo asiático Ban Ki-moon (2007-2017), da Coreia do Sul, e pelo europeu António Guterres (2017), de Portugal.
Além disso, uma frente suprapartidária de governos e campanhas internacionais vem clamando cada vez mais por uma mulher para liderar as Nações Unidas, algo que nunca aconteceu.
Muitos acreditam que seria a escolha certa para fortalecer o papel da ONU e, sobretudo, responder adequadamente à criação do controverso Conselho de Paz por Donald Trump.
Atualmente, as líderes latino-americanas candidatas são a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, figura com vasta experiência multilateral (incluindo altos cargos na ONU), e a ex-vice-presidente costarriquenha Rebeca Grynspan, atual chefe da UNCTAD, a agência das Nações Unidas para o comércio e o desenvolvimento.
Alicia Bárcena, secretária de Meio Ambiente do México e com longa trajetória no sistema ONU, manifestou sua intenção de concorrer. E no Caribe, Mia Mottley, primeira-ministra de Barbados, é uma figura a ser observada. Ela é amplamente respeitada por sua liderança na questão climática e por sua capacidade de dar voz aos pequenos estados insulares. Por fim, Ivonne Baki, política e diplomata libanesa-equatoriana, também é cotada.
O único homem na disputa até o momento é o candidato proposto pela Argentina e apoiado pela Itália, o ítalo-argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).