Repressão aos protestos no Irã deixa mais de 2.500 mortos; Trump promete ajuda
A repressão ao movimento de protesto no Irã já resultou, até o momento, em 2.571 mortos — entre eles 2.403 manifestantes, 147 pessoas ligadas ao governo, além de 12 crianças e nove civis que não participavam das mobilizações. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (14) pela ONG de defesa dos direitos humanos HRANA, sediada nos Estados Unidos. O presidente americano, Donald Trump, havia incentivado, na terça-feira (13), que os iranianos continuassem os protestos até a queda do regime, afirmando que "a ajuda estava a caminho".
As estimativas podem, porém, ser muito maiores. Segundo investigações publicadas pelo Iran Human Rights Documentation Center, o número de mortos pode chegar a 12 mil pessoas, resultado de operações realizadas em diversas cidades iranianas. A organização afirma ainda que grande parte das vítimas tinha menos de 30 anos, incluindo estudantes.
O contexto interno segue marcado por forte censura. Há sete dias, o país enfrenta um apagão quase total de internet, dificultando o acesso a informações e a confirmação do número real de vítimas.
Mesmo assim, relatos continuam a surgir. Siavosh Ghazi, correspondente da RFI em Teerã, afirma que em comparação com os movimentos dos últimos dez anos — quando houve manifestações contra o custo de vida, contra o aumento do preço da gasolina, e após a morte de Mahsa Amini, detida por uso inadequado do véu islâmico — desta vez observa-se uma mudança e uma radicalização do movimento, com slogans políticos fortes a favor de um retorno da monarquia e da dinastia Pahlavi, além de críticas muito duras contra o regime teocrático atual.
Outra característica destacada por Ghazi é a mobilização de pequenas localidades, muitas delas pobres e pouco conhecidas, que também levaram um grande número de pessoas às ruas.
Execuções
Na terça-feira, Donald Trump incentivou os manifestantes iranianos a continuarem seu movimento até derrubarem as autoridades, prometendo em sua rede Truth Social que "a ajuda estava a caminho", sem dar mais detalhes. Ele acrescentou que agiria "de maneira muito forte" em caso de execuções de manifestantes.
Trump advertiu: "Tomaremos medidas muito fortes se fizerem uma coisa dessas", em referência a casos de execuções de manifestantes, quando questionado na noite de terça‑feira por um jornalista do canal CBS.
Segundo o Departamento de Estado americano, a primeira execução está marcada para esta quarta-feira. Seria um jovem de 26 anos, Erfan Soltani, um dos mais de 10.600 manifestantes presos. A Anistia Internacional pediu ao Irã que "suspenda imediatamente todas as execuções, incluindo a de Erfan Soltani".
Teerã acusou Washington de buscar um "pretexto" para uma intervenção militar. A missão iraniana na ONU diz que os americanos tentam derrubar o regime à força.
Julgamentos "rápidos"
Em meio à escalada da violência, o chefe do Poder Judiciário iraniano, Gholamhossein Mohseni Ejei, declarou que os suspeitos detidos nas manifestações, qualificadas como "tumultos" pelas autoridades, enfrentarão julgamentos "rápidos" e "públicos".
Em visita a uma prisão onde manifestantes estão detidos, Gholamhossein afirmou que as autoridades devem agir "rapidamente", citando casos de violência atribuídos a alguns protestos.
"Se alguém incendiou uma pessoa, decapitou-a antes de queimar seu corpo, devemos fazer nosso trabalho rapidamente", declarou Gholamhossein Mohseni Ejeï.
De acordo com as agências de notícias iranianas, ele passou cinco horas nessa prisão em Teerã examinando os casos e afirmou que os julgamentos deveriam ser "públicos". Os grupos de defesa dos direitos humanos falam em milhares de prisões desde o início do movimento, em 28 de dezembro, e temem um amplo uso da pena de morte.
O Irã segue sendo o segundo país que mais executa pessoas no mundo, ficando atrás apenas da China — que, segundo estimativas de entidades internacionais, realiza milhares de execuções por ano, embora os números exatos não sejam divulgados.
RFI com agências