Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Reino Unido pede desculpas por afogamento de adolescente iraquiano nas mãos de militares britânicos

16 set 2016 - 14h29
Compartilhar
Exibir comentários
Ahmed Jabbar Kareem Ali morreu afogado em 2003
Ahmed Jabbar Kareem Ali morreu afogado em 2003
Foto: BBC / BBC News Brasil

O governo do Reino Unido pediu desculpas pela morte de um adolescente iraquiano que se afogou após ser forçado a entrar em um canal por militares britânicos em 2003.

Ahmed Jabbar Kareem Ali, de 15 anos, morreu em Basra, no sul do país, após ter sido "tratado de forma violenta e agressiva" por soldados que faziam parte da coalizão que invadiu o país naquele ano sob a liderança americana.

Os quatro soldados envolvidos, cujas identidades não foram reveladas, foram absolvidos da acusação de homicídio por uma corte marcial em 2006.

Porém, uma investigação independente concluiu que a morte de Ahmed foi causada de forma "clara e certeira" pelas ações dos militares.

"Sua morte ocorreu porque ele foi forçado pelos soldados a entrar em um canal onde, na presença dos soldados, se encontrou em dificuldades e foi para debaixo d'água", disse o chefe da investigação, o ex-juiz da Suprema Corte britânica, Sir George Newman.

"Sua morte poderia ter sido evitada porque ele poderia e deveria ter sido resgatado após ficar claro que estava afundando."

Para o magistrado, a ação de obrigar o adolescente a entrar na água foi "ilegal".

Incidente

O incidente aconteceu depois que os soldados foram chamados a um complexo industrial abandonado, onde flagraram entre 20 e 30 suspeitos de terem praticado saques.

Depois de uma perseguição, Ali foi um dos quatro suspeitos obrigados a entrar em uma piscina. Levados em seguida por um veículo armado do Exército britânico ao canal de Shatt-Al Basra, eles foram novamente forçados a entrar na água.

Segundo o depoimento de um dos detidos, Ayad Salim Hanoon, os quatro foram coagidos a entrar no canal "sob mira de revólver".

Ele também disse que os soldados atiraram pedras para forçá-los a ir para o fundo, embora o relatório do juiz não tenha sido capaz de esclarecer se essa acusação é verdadeira.

O documento destaca que as provas apresentadas por Hanoon "foram objeto de crítica extensa", incluindo "erros ou desentendimentos" ou problemas de tradução.

Segundo relatório, os quatro suspeitos "foram coagidos a entrar no veículo por soldados fortemente armados".

"Nenhum dos soldados deu uma explicação satisfatória de por que obrigaram os saqueadores a entrar no canal."

O Ministério de Defesa do Reino Unido disse que o episódio foi "um grave incidente pelo qual lamentamos profundamente".

"Estamos comprometidos a investigar as acusações de transgressões cometidas pelas forças britânicas, e usaremos as revelações para tirar lições e garantir que isso nunca aconteça novamente."

Tropas britânicas permaneceram no Iraque por anos
Tropas britânicas permaneceram no Iraque por anos
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Conflito

As conclusões são resultado do trabalho de uma autarquia independente criada em 2013 para analisar as mortes de civis iraquianos envolvendo militares britânicos durante a Guerra do Iraque.

No conflito, uma coalizão liderada pelos Estados Unidos - que incluiu o Reino Unido - depôs o então presidente iraquiano, Saddam Hussein. Os combates deixaram 150 mil iraquianos mortos e mais de 1 milhão desabrigados.

Mais de 200 militares e civis britânicos morreram durante o conflito.

BBC News Brasil BBC News Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC News Brasil.
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade