Programa nuclear iraniano: Conselho de Segurança da ONU aprova retomada de sanções contra Teerã
O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta sexta-feira (19) a retomada das sanções econômicas contra o Irã, alegando violações ao acordo nuclear de 2015. Reino Unido, França e Alemanha lideraram a iniciativa, enquanto Rússia e China tentaram, sem sucesso, barrar a medida. A decisão reacende tensões diplomáticas e ameaça o futuro do pacto nuclear com Teerã.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta sexta-feira (19) a retomada das sanções econômicas contra o Irã, alegando violações ao acordo nuclear de 2015. Reino Unido, França e Alemanha lideraram a iniciativa, enquanto Rússia e China tentaram, sem sucesso, barrar a medida. A decisão reacende tensões diplomáticas e ameaça o futuro do pacto nuclear com Teerã.
Londres, Paris e Berlim, signatários de um acordo de 2015 conhecido como o Plano de Ação Conjunto Abrangente (JCPOA, na sigla em inglês), destinado a impedir que Teerã obtenha armas nucleares, alegam que o Irã violou compromissos estabelecidos no tratado e promoveram esta ação. "Instamos (o Irã) a agir agora", disse a embaixadora britânica, Barbara Woodward, depois de votar contra uma resolução que teria prorrogado a suspensão atual das sanções.
Em uma carta enviada à ONU em meados de agosto, os três países europeus acusaram o Irã de violar vários de seus compromissos sob o JCPOA, incluindo o acúmulo de uma reserva de urânio que excede em mais de 40 vezes o nível permitido. As potências ocidentais e Israel há muito tempo acusam o Irã de tentar obter armas nucleares, o que Teerã nega.
Apesar das conversas diplomáticas entre os europeus e Teerã, o trio ocidental garantiu que não houve progresso concreto. "Buscamos por todos os meios encontrar uma alternativa" à retomada das sanções, mecanismo conhecido como "snapback", comentou o embaixador francês na ONU, Jérôme Bonnafont.
"Não temos outra opção senão seguir com o procedimento de snapback, que levará — salvo decisão contrária deste Conselho — à reativação, em 28 de setembro, dos regimes de sanções adotados antes de 2015 contra o Irã", acrescentou. Ainda assim, o diplomata ressaltou que a oferta dos britânicos, franceses e alemães para alcançar uma solução negociada até o fim da próxima semana continua válida.
Rússia e China apoiaram o Irã
Rússia e China, que se opõem ao retorno das sanções, precisariam garantir nove votos dos 15 membros do Conselho para evitar o "snapback", mas não conseguiram. Moscou e Pequim se manifestaram contra a medida, argumentando que o processo não possui base legal. "Estamos testemunhando um espetáculo desajeitado, destinado a criar uma realidade paralela que nada tem a ver com os fundamentos políticos ou legais do trabalho do Conselho de Segurança", declarou o embaixador russo Vassili Nebenzia.
Um pouco mais cedo, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, havia afirmado ter apresentado uma proposta "justa e equilibrada" sobre seu programa nuclear às potências europeias para evitar a reimposição das sanções. Logo após o anúncio do voto, o embaixador iraniano junto às Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, qualificou a decisão de "precipitada, inútil e ilegal". Segundo ele, a retomada das sanções faz parte de uma "política de coerção".
Acordo de 2015 esvaziado por Trump
O acordo de 2015, alcançado com dificuldade, perdeu força desde que os Estados Unidos se retiraram do pacto em 2018, no primeiro mandato de Donald Trump na Casa Branca, e voltaram a impor sanções ao Irã. Após a saída de Washington, Teerã se afastou gradualmente das obrigações estabelecidas no acordo e começou a intensificar suas atividades nucleares. A tensão predomina desde a guerra de 12 dias entre Irã e Israel, em junho.
(Com agências)