Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Por que Trump e Putin vão se encontrar no Alasca e outras 4 perguntas

Os dois presidentes se reúnem nesta sexta-feira (15/08) para discutir como acabar com a guerra na Ucrânia.

13 ago 2025 - 08h31
(atualizado às 10h06)
Compartilhar
Exibir comentários
Imagem de arquivo de um lago e montanhas no Alasca
Imagem de arquivo de um lago e montanhas no Alasca
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Os Estados Unidos e a Rússia concordaram em realizar uma reunião entre os presidentes Donald Trump e Vladimir Putin nesta sexta-feira (15/08) para discutir como acabar com a guerra na Ucrânia.

Trump anunciou a reunião com uma semana de antecedência — no mesmo dia em que expirava o prazo que ele havia dado para a Rússia concordar com um cessar-fogo na Ucrânia ou enfrentar mais sanções dos EUA.

Três rodadas de negociações entre a Rússia e a Ucrânia, realizadas a pedido de Trump neste verão no hemisfério norte, ainda não aproximaram as duas partes da paz.

A seguir, está o que sabemos sobre a reunião entre os dois líderes, que vai acontecer em Anchorage, no Alasca — que já foi território russo.

Por que eles vão se encontrar no Alasca?

Os EUA compraram o Alasca da Rússia em 1867, o que confere um significado histórico ao encontro. O Alasca se tornou um Estado americano em 1959.

O assessor presidencial russo, Yuri Ushakov, destacou que os dois países são vizinhos, separados apenas pelo Estreito de Bering.

"Parece bastante lógico que nossa delegação simplesmente sobrevoe o Estreito de Bering, e que uma cúpula tão importante e esperada entre os líderes dos dois países seja realizada no Alasca", afirmou Ushakov.

A última vez que o Alasca foi o centro das atenções em um evento diplomático americano foi em março de 2021, quando a recém-formada equipe diplomática e de segurança nacional de Joe Biden se reuniu com seus homólogos chineses em Anchorage.

A reunião acabou ficando acalorada, com os chineses acusando os americanos de "condescendência e hipocrisia".

Onde Trump e Putin vão se reunir no Alasca?

A Casa Branca confirmou na terça-feira (12/08) que o encontro vai ser em Anchorage.

Ao anunciar a reunião bilateral, Trump disse que o local seria "muito popular por várias razões", sem revelar que seria na maior cidade do Estado.

Os dois vão ser recebidos na base Elmendorf-Richardson, a maior instalação militar do Alasca. A base de 26 mil hectares é um local estratégico para a preparação militar dos EUA no Ártico.

Mapa mostrando o Alasca, o Canadá e a Rússia, com o Mar de Bering entre eles. Anchorage está marcada no mapa no sul do Alasca
Mapa mostrando o Alasca, o Canadá e a Rússia, com o Mar de Bering entre eles. Anchorage está marcada no mapa no sul do Alasca
Foto: BBC News Brasil

Por que Putin e Trump vão se encontrar?

Trump tem pressionado fortemente — sem muito sucesso — para acabar com a guerra na Ucrânia.

Como candidato à presidência, ele prometeu que poderia acabar com a guerra em 24 horas após assumir o cargo. Ele também argumentou repetidamente que a guerra "nunca teria acontecido" se ele fosse presidente na época que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022.

No mês passado, Trump disse à BBC que estava "decepcionado" com Putin.

As frustrações aumentaram, e Trump estabeleceu o prazo de 8 de agosto para que Putin concordasse com um cessar-fogo imediato — do contrário, enfrentaria sanções mais severas dos EUA.

Quando o fim do prazo chegou, Trump anunciou que ele e Putin se encontrariam pessoalmente em 15 de agosto.

A reunião acontece depois que o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, teve uma conversa "altamente produtiva" com Putin em Moscou na quarta-feira, de acordo com Trump.

A Casa Branca tentou minimizar as especulações de que o encontro bilateral poderia resultar em um cessar-fogo.

"Este é um exercício de escuta para o presidente", disse a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt. Ela acrescentou que Trump pode viajar para a Rússia após a viagem ao Alasca.

Em conversa com jornalistas na segunda-feira, Trump disse que via a cúpula como uma "reunião para sondar o terreno" com o objetivo de instar Putin a acabar com a guerra.

A Ucrânia vai participar?

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, não deve participar. Trump disse na segunda-feira: "Eu diria que ele poderia ir, mas ele já participou de muitas reuniões".

Trump afirmou, no entanto, que Zelensky seria a primeira pessoa para quem ele telefonaria depois.

Um funcionário da Casa Branca acrescentou mais tarde que Trump e Zelensky se reuniriam virtualmente nesta quarta-feira, às vésperas da cúpula do presidente americano com Putin. A reunião com Zelensky vai contar com a participação de vários líderes europeus.

Putin havia solicitado que Zelensky fosse excluído, embora a Casa Branca tenha dito anteriormente que Trump estava disposto a realizar uma reunião trilateral na qual os três líderes estivessem presentes.

Zelensky disse que qualquer acordo sem a participação da Ucrânia seria uma "decisão sem efeito".

O que ambos os lados esperam obter?

Embora tanto a Rússia quanto a Ucrânia tenham afirmado há muito tempo que desejam o fim da guerra, ambos os países querem coisas às quais o outro se opõe veementemente.

Trump disse na segunda-feira que "tentaria recuperar parte daquele território [ocupado pela Rússia] para a Ucrânia". Mas também alertou que talvez fosse necessário "alguma troca, mudanças de território".

A Ucrânia, no entanto, tem se mostrado inflexível em não aceitar o controle russo das regiões que Moscou tomou, incluindo a Crimeia.

Zelensky rejeitou nesta semana qualquer ideia de "troca" de territórios.

"Não vamos recompensar a Rússia pelo que ela fez", afirmou o presidente ucraniano.

Em paralelo, Putin não tem cedido em suas exigências territoriais, na neutralidade da Ucrânia e no futuro tamanho de seu Exército.

A Rússia lançou sua invasão em grande escala à Ucrânia, em parte devido à crença de Putin de que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar ocidental, estava usando o país vizinho para ganhar uma posição estratégica e deixar suas tropas mais perto das fronteiras da Rússia.

Mapa mostrando as áreas da Ucrânia estão sob controle militar russo ou controle russo limitado
Mapa mostrando as áreas da Ucrânia estão sob controle militar russo ou controle russo limitado
Foto: BBC News Brasil

O governo Trump tem tentado influenciar os líderes europeus em relação a um acordo de cessar-fogo que entregaria vastas áreas do território ucraniano à Rússia, segundo reportagem da CBS News, parceira da BBC nos EUA.

O acordo permitiria à Rússia manter o controle da península da Crimeia, e tomar a região de Donbas, no leste da Ucrânia, composta por Donetsk e Luhansk, de acordo com fontes próximas às negociações.

A Rússia ocupou ilegalmente a Crimeia em 2014, e suas forças controlam a maior parte da região de Donbas.

Pelo acordo, a Rússia teria que abrir mão das regiões ucranianas de Kherson e Zaporizhzhia, onde atualmente possui algum controle militar.

Em entrevista à rede Fox News, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, disse que qualquer acordo futuro "não vai deixar ninguém superfeliz".

"É preciso alcançar a paz aqui... não se pode apontar o dedo", ele afirmou.

"O caminho para a paz é ter um líder decisivo que se sente à mesa e force as pessoas a se unirem."

BBC News Brasil BBC News Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC News Brasil.
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade