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Pastores palestinos são alvo de ataques de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada

O Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários já registrou mais de 1.200 ataques de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada neste ano. Os membros dos assentamentos, considerados ilegais, atacam diariamente civis palestinos. A reportagem da RFI esteve na cidade de Mukhmas (Micmás), um dia após um ataque de colonos que queimaram, no sábado (25), várias casas de pastores que moram na região.

27 out 2025 - 08h33
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O Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários já registrou mais de 1.200 ataques de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada neste ano. Os membros dos assentamentos, considerados ilegais, atacam diariamente civis palestinos. A reportagem da RFI esteve na cidade de Mukhmas (Micmás), um dia após um ataque de colonos que queimaram, no sábado (25), várias casas de pastores que moram na região.  

Um pastor palestino perto da aldeia de Tammun, na Cisjordânia ocupada, em 22 de dezembro de 2023.
Um pastor palestino perto da aldeia de Tammun, na Cisjordânia ocupada, em 22 de dezembro de 2023.
Foto: AFP - MENAHEM KAHANA / RFI

Nicolas Rocca, enviado especial a Mukhbas e Lucas Lazo, correspondente em Jerusalém 

"Está vendo ali? É um colono. Ele veio ver se fomos embora depois dos incêndios", diz Moussa, em frente à sua casa, que foi consumida pelas chamas. Da construção, resta apenas a estrutura de ferro. 

Segundo ele, trinta colonos queimaram várias moradias. "Meu irmão vivia aqui, mas tudo virou fumaça — as roupas dele, das crianças, da esposa. Tudo queimou", descreve. 

Setenta pessoas moram nesse povoado de pastores, cercado por quatro colônias. "Isso acontece o tempo todo. Uma vez quebraram as janelas da casa, outras vezes cortam a água. Desta vez, também roubaram os carneiros. Eu não vou sair daqui, mesmo que me degolem, não vou sair", afirma. 

O ataque da véspera, realizado com armas de fogo e tacos de beisebol, deixou cinco feridos, incluindo dois ativistas do grupo liderado pelo rabino Arik Ascherman, líder de um grupo israelense que ajuda comunidades palestinas.

Ele denuncia esse assédio diário, que descreve como uma estratégia lenta de anexação por parte do governo israelense. "Na impossibilidade de expulsar todos os palestinos da Cisjordânia, empurram-nos para os centros urbanos em outras áreas", explica. 

Em Jerusalém Oriental, famílias palestinas vivem ameaçadas de expulsão 

Em Jerusalém Oriental, a colonização israelense também continua, com novas expulsões de famílias palestinas. Várias delas receberam, nos últimos dias, ordens de despejo definitivo, após anos de processos judiciais. 

"Aqui são as famílias Odeih e Shweiki. Elas perderam na Suprema Corte e têm até meados de novembro para sair", diz Raed Basbus, que vive no bairro palestino de Batan al-Hawa, em Jerusalém Oriental. 

Ele também recebeu uma ordem de despejo definitiva, assim como outras 86 famílias palestinas de Batan al-Hawa, o equivalente a 750 pessoas. 

Segundo ele, a Suprema Corte israelense analisa seu último recurso. "Já sabemos o que vai acontecer, mas é a única coisa que podemos fazer. É a casa, as memórias, os vizinhos, os amigos, as crianças. Não há para onde ir", lamenta Raed Basbus. 

A organização Ateret Cohanim, apoiada pela prefeitura, trabalha para estabelecer uma maioria demográfica judaica nos bairros árabes de Jerusalém Oriental. "Eles dizem que meu avô comprou essa terra de alguém que não era o proprietário, e que essa terra pertenceria a judeus que viveram aqui antes de 1889", relata Raed Basbus. 

Nos muros do bairro, os moradores escreveram que vão resistir. No entanto, sete famílias já tiveram que deixar Batan al-Hawa nos últimos meses. 

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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