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Partido de Salvini é excluído de nomeações na UE

Liga não foi eleita para nenhuma comissão do Europarlamento

11 jul 2019
18h59
atualizado às 19h33
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Partido mais votado nas eleições europeias em termos absolutos, a Liga, do ministro do Interior e vice-premier da Itália, Matteo Salvini, não conseguiu obter a presidência de nenhuma comissão na nova legislatura do Parlamento Europeu.

Matteo Salvini reclamou de "racismo" por parte de partidos europeus
Matteo Salvini reclamou de "racismo" por parte de partidos europeus
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Após ter visto um membro da oposição na Itália, David Sassoli, do centro-esquerdista Partido Democrático (PD), ser eleito presidente do Legislativo da União Europeia, a Liga não conseguiu evitar a escolha do italiano Roberto Gualtieri, também do PD, para chefiar a Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários (Econ).

Já Antonio Tajani, do conservador moderado Força Itália (FI), foi eleito para presidir a Comissão de Assuntos Constitucionais (Afco) - o FI é aliado da Liga em governos regionais e municipais, mas faz oposição em âmbito nacional.

Outros cinco italianos foram eleitos vice-presidentes de comissões, sendo quatro do PD e um do partido de extrema direita Irmãos da Itália (FdI), que tem a mesma postura que o FI em relação a Salvini. "Uma coisa que lamento é que na Europa estão dando poltronas a torto e a direito. PD, FI, FdI e presidências e vice-presidências a todos. A única excluída é a Liga. Isso é vergonhoso, é um insulto à democracia", declarou o ministro do Interior, que prometera "mudar a UE", mas até aqui não conseguiu influenciar nas nomeações.

Segundo Salvini, a "exclusão" de seu partido é motivada por "preconceito ideológico" e "racismo", embora outros italianos tenham sido eleitos para posições de destaque no Parlamento Europeu. A Liga recebeu cerca de 9,1 milhões de votos nas eleições europeias, o maior número absoluto entre todos os Estados-membros da UE.

Eurocéticos

Os partidos pró-Europa formaram uma espécie de "cordão sanitário" para isolar o grupo de extrema Identidade e Democracia, capitaneado pela Liga e pelo Reunião Nacional, da francesa Marine Le Pen.

As presidências das comissões do Europarlamento acabaram distribuídas principalmente entre os grupos Partido Popular Europeu (PPE), de centro-direita; Socialistas e Democratas (S&D), de centro-esquerda; e o liberal Renovar Europa.

As três forças também devem se unir para evitar indicações da extrema direita para alguma das 27 pastas que formam a Comissão Europeia (uma para cada Estado-membro), o poder Executivo da UE.

A Itália quer indicar o próximo comissário da Concorrência, e o primeiro-ministro Giuseppe Conte já disse que a nomeação caberá à Liga, mas todos os candidatos precisam passar por uma sabatina no Europarlamento, conhecido pela rigidez nos questionamentos. 

Ansa - Brasil   
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