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Partido de extrema-direita Chega, de Portugal, pode ter atingido limite nas eleições presidenciais

9 fev 2026 - 16h37
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A vitória decisiva do candidato socialista moderado nas eleições presidenciais de domingo em Portugal mostrou que dois terços do eleitorado, incluindo muitos conservadores, se uniram contra seu rival de extrema-direita, que provavelmente atingiu seu teto de 33% dos votos, ‌avaliam analistas.

Ainda assim, os ganhos obtidos por André Ventura em comparação com o primeiro turno, no mês passado, e as eleições gerais de ‌2025 colocam seu partido anti-establishment e anti-imigração, o Chega, a um passo de se tornar a maior facção parlamentar nas próximas eleições gerais em 2029. Atualmente, o Chega tem o segundo maior número de assentos no Parlamento.

O fato de figuras conservadoras proeminentes terem apoiado o socialista António José Seguro no segundo turno das eleições presidenciais — algo raro na Europa — pode galvanizar uma potencial aliança centrista ‍para manter o Chega longe do poder no futuro, disse Javier Carbonell, analista do think tank European Policy Centre.

Uma eleição parlamentar também não se reduziria a apenas dois rivais, o que provavelmente diluiria o apoio atual a Ventura.

O líder do Chega afirmou que o resultado significa que ele agora é o líder da direita portuguesa.

"Não vencemos, mas estamos ‌no caminho para essa vitória", disse a apoiadores na noite de domingo.

Analistas políticos avaliam, no ‌entanto, que apesar da influência claramente crescente do Chega e da "normalização" da extrema-direita entre os eleitores, Ventura foi claramente incapaz de conquistar a maioria dos votos da centro-direita.

"Sinceramente, não acredito que o Chega possa subir muito mais do que um terço do eleitorado, que é o limiar que ele atingiu nesta eleição", disse José Tomaz Castello Branco, cientista político da Universidade Católica Portuguesa de Lisboa.

"Não acredito nessa ideia que ele agora defende... de liderar a direita em Portugal", acrescentou, embora reconheça que "os eleitores estão começando a perder a timidez em votar num partido de extrema-direita".

OPOSIÇÃO NO PARLAMENTO

Seguro, que prometeu "unir o país" e construir pontes políticas em um Parlamento altamente fragmentado, obteve quase 3,5 milhões de votos, ou 66,8% do total, mais que o dobro do resultado no primeiro turno das eleições em 18 de janeiro.

Ventura, que fez campanha para "acabar com 50 anos de corrupção" dos principais partidos de Portugal, recebeu 33,2%, ou mais de 1,7 milhão de votos, cerca de 413.000 a mais do que na primeira rodada.

Esse resultado também foi cerca de 300.000 votos a mais do que o Chega obteve nas eleições parlamentares de maio passado, quando se tornou a principal facção da oposição. A aliança de centro-direita no poder obteve cerca de 2 milhões de votos.

Nas ruas de Lisboa, alguns partilharam a opinião de que a ascensão acentuada do Chega desde a sua criação, há apenas sete ‌anos, pode ter cessado.

"Talvez possamos dizer que estamos mais tranquilos, pois a extrema-direita não terá muitas chances de crescer ainda mais em Portugal", disse Jorge Ferreira, de 66 anos.

Mas Matilde Ribeiro, de 24 anos, considera "extremamente preocupante que o candidato de extrema-direita tenha crescido tão rapidamente em eleições sucessivas".

"É um sinal do que está a acontecer na Europa e no mundo", afirmou.

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