Papa critica 'injusta' concentração de riqueza e pede redistribuição
Leão XIV afirmou que 'não há determinismo' que condene as pessoas à pobreza
O papa Leão XIV criticou nesta sexta-feira (10) a excessiva e "injusta" concentração de riqueza nas mãos de poucas pessoas e pediu empenho para mudar esse cenário.
As declarações foram dadas em audiência no Vaticano com funcionários e dirigentes do Instituto Nacional de Previdência Social da Itália (INPS), a quem alertou que a raiz da desigualdade não é a "falta de recursos", mas sim a ausência de uma "distribuição mais igualitária e movida pela honestidade e pelo senso moral".
"De modo geral, existe muita riqueza no mundo, mas o número de pobres está crescendo. Centenas de milhões de pessoas em todo o planeta estão imersas em extrema pobreza e carecem de alimentos, moradia, assistência médica, escolas, eletricidade, água potável e serviços essenciais de saúde", disse o líder da Igreja Católica em seu discurso.
"Mesmo assim, uma riqueza desproporcional permanece nas mãos de poucos. Essa é uma situação injusta, diante da qual não podemos deixar de questionar e nos comprometer a mudar as coisas. Não há determinismo que nos condene à desigualdade", acrescentou o Papa.
Leão XIV ainda defendeu intervenções dos "poderes públicos" para socorrer "famílias que se encontrem em situações de graves restrições" e citou uma encíclica na qual o finado papa Francisco equiparava o bem-estar social a um "verdadeiro direito universal".
Além disso, alertou para a crescente "precariedade" do trabalho, que gera "novas necessidades e responsabilidades para o Estado e o indivíduo".
"Gostaria de concluir recordando as palavras que o papa Francisco dirigiu aos gestores e colaboradores do instituto há pouco mais de 10 anos: 'Não se esqueçam do ser humano: este é o imperativo. Amar e servir ao ser humano com consciência, responsabilidade e disponibilidade. Trabalhar por quem trabalha, e não menos por aqueles que gostariam de trabalhar, mas não podem'", disse.