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Papa condena tráfico humano e diz que 'todos são migrantes' em último dia na Espanha

Leão XIV fez em Tenerife um de seus discursos mais contundentes

12 jun 2026 - 08h23
(atualizado às 11h31)
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Em um dos discursos mais contundentes de sua viagem apostólica à Espanha, o papa Leão XIV enviou nesta sexta-feira (12) uma dura mensagem aos responsáveis pelo tráfico humano e pela exploração de migrantes.

Durante encontro com organizações dedicadas à integração de migrantes na Plaza del Cristo de La Laguna, em Tenerife, o pontífice exigiu o fim dessas práticas e convocou os envolvidos à conversão.

"Desta praça, quero dirigir uma palavra clara àqueles que organizam campos de extermínio, traficam seres humanos, retêm documentos, exploram trabalhadores, ameaçam mulheres, enganam famílias. Parem! Convertam-se!", declarou o Papa diante de centenas de participantes.

Leão XIV afirmou que "o dinheiro tirado dos pobres vulneráveis não trará paz, nem honra, nem futuro, e advertiu sobre a responsabilidade moral dos exploradores.

"Por cada vida perdida, cada família enganada e cada corpo subjugado, vocês terão que comparecer perante a justiça divina. Quebrem essas correntes e libertem aqueles que vocês mantêm sob seu domínio", acrescentou.

No pronunciamento, realizado durante a última etapa da visita de sete dias do Papa à Espanha, que incluiu passagens por Madri, Barcelona e pelas Ilhas Canárias, o líder da Igreja Católica refletiu sobre o significado simbólico de Tenerife, conhecida como "cidade sem muros".

Para ele, as barreiras mais difíceis de derrubar não são físicas. "Às vezes, encontram-se no olhar, no medo ou na indiferença", observou.

Referindo-se ao mar que cerca as Ilhas Canárias, uma das principais rotas migratórias rumo à Europa, Leão XIV lembrou que as águas carregam histórias de sofrimento, esperança e busca por uma vida melhor.

Por isso, Leão XIV pediu aos católicos que a integração dos migrantes não seja reduzida apenas a uma tarefa social. Além de abrigo, alimentação, trabalho e proteção, os recém-chegados devem encontrar comunidades capazes de testemunhar a fé cristã com respeito à liberdade individual.

"Evangelizar significa compartilhar com respeito e humildade o tesouro que sustenta nosso trabalho e nossa esperança. Uma Igreja que acolhe é também uma Igreja que proclama, oferecendo Cristo sem impô-lo", declarou.

O pontífice esteve no centro de acolhimento "Las Raíces", em Tenerife, onde se reuniu com migrantes de diversas nacionalidades. Falando em francês e inglês para facilitar a comunicação com as comunidades africanas presentes, Leão XIV destacou a contribuição dos migrantes para o futuro das sociedades.

Segundo ele, a migração pode representar uma oportunidade de encontro e enriquecimento mútuo entre os povos.

"Somos todos migrantes de alguma forma, somos todos peregrinos em uma jornada", afirmou, apelando para que todos se ajudem mutuamente para "tornar esta jornada um evento mais humano para todos, oferecendo o que está ao alcance de cada um".

Além disso, Robert Prevost também agradeceu a colaboração das autoridades públicas, instituições e voluntários envolvidos na assistência humanitária aos recém-chegados.

A visita ao centro de acolhimento foi marcada por cenas de afeto. Após seu discurso, várias crianças correram ao encontro do Papa, que pegou uma delas no colo e cumprimentou outras famílias presentes. Em seguida, ele percorreu as instalações do centro, visitando inclusive as áreas onde os migrantes estão alojados.

Também nesta sexta-feira, por ocasião do Dia da Santificação Sacerdotal, celebrado na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o Papa divulgou uma mensagem dirigida aos sacerdotes de todo o mundo. Nela, exortou o clero a buscar a santidade mesmo diante das limitações humanas.

"Somos limitados e imperfeitos, muitas vezes marcados pela fraqueza e pelo cansaço, por vezes por feridas", escreveu.

Apesar disso, afirmou que os sacerdotes são chamados a testemunhar a misericórdia, a paz e a unidade por meio de uma vida inspirada no coração de Cristo.

Leão XIV concluiu incentivando a fraternidade entre os membros do clero: "O sacerdote que se isola lentamente definha; o sacerdote que caminha com seus irmãos cresce". 

Ansa - Brasil
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